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Você, que é um profissional antenado com o que acontece na engenharia brasileira, já deve ter ouvido falar sobre o Cidade Matarazzo, certo?

Estou me referindo ao complexo hoteleiro de luxo implantado ao lado da icônica avenida Paulista, região central de São Paulo.

Com 145 mil m², o empreendimento em construção é composto por shopping, capela e hotel 6 estrelas com 122 suítes. Atualmente, o empreendimento tem inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2020, mas o prazo já foi alterado pelo menos duas vezes desde o início das obras.

As dimensões do projeto impressionam, assim como o sofisticado projeto que inclui preservação do patrimônio histórico e a superação de uma série de desafios de engenharia.

Quer saber mais detalhes sobre essa obra? Então continue comigo que te conto:

A história do Cidade Matarazzo

Projetado pelo premiado arquiteto francês Jean Nouvel, vencedor do prêmio Pritzker de 2008, o Cidade Matarazzo foi concebido para se transformar em um cartão-postal de São Paulo.

Com conclusão prevista para 2020, o complexo também conta com projetos realizados pelo escritório Triptyque e pelo badalado designer Philippe Starck.

O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 27 mil metros quadrados adquirido pelo Grupo Allard, de Alexandre Allard, que já tem experiência na recuperação de edifícios históricos. No local existem três prédios que datam do início do século 20:

  • Antigo Hospital Matarazzo, fundado em 1904;
  • Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, inaugurada em 1943;
  • Capela Santa Luzia, erguida em 1922.

Os edifícios encerraram suas atividades nos anos 1990 e ficaram abandonados por quase duas  décadas.

O vídeo a seguir conta mais detalhes sobre a preservação do patrimônio histórico no Cidade Matarazzo. Não deixe de assistir:

Transformação em complexo de luxo

Ao adquirir a área nas redondezas da avenida Paulista, o Groupe Allard projetou erguer ali o primeiro hotel palácio de seis estrelas da marca internacional Hotel Rosewood na América Latina.

Para tanto, o plano envolve converter os edifícios preexistentes em um complexo multifuncional que articula atividades culturais, comerciais, empresariais e residenciais. O conceito é integrar a recuperação de todo o conjunto protegido pelo patrimônio com novos edifícios, localizados em áreas periféricas do terreno.

Neste vídeo você pode conferir uma entrevista com o arquiteto Jean Nouvel sobre o trabalho realizado para o Cidade Matarazzo.

Entre as novas construções, chama a atenção a Torre Rosewood São Paulo. Trata-se de  um edifício com 100 metros de altura e com fachada composta por brises de madeira, terraços e muitas flores, plantas e árvores.

O projeto contempla, também, a manutenção de uma área verde de 15 mil m², com espécies da Mata Atlântica e paisagismo assinado pelo francês Louis Benech, responsável pela renovação do Jardim des Tuileries, em Paris, nos anos 1990.

“O parque do Matarazzo é uma sobrevivência. Diria até mais do que uma sobrevivência, é um oásis. É o lugar de uma urbanização calma. É o lugar de árvores incríveis: fícus, talaumas”, disse.

Além disso, ele completou: “E este hospital no meio é uma espécie de pequena cidade, muito bem organizada com seus pátios. Ao redor disso, uma cidade tumultuada. O que é interessante é trabalhar a partir da memória do lugar”, disse o arquiteto Jean Nouvel.

Capela flutuante

A necessidade viabilizar uma profunda transformação sem comprometer as edificações existentes exigiu soluções de engenharia especiais.

Assim, segundo os engenheiros responsáveis pela obra, um dos desafios é lidar com a localização central da obra e com o entorno densamente ocupado e com grandes restrições de circulação. Tais limitações exigiram um trabalho de planejamento e coordenação apurado.

Outra etapa crítica foi a de escavações, que atingiram cotas de até 30 metros de profundidade. Assim, a obra foi dividida em setores com escavações a céu aberto, escavações semiconfinadas e escavações confinadas.

Nesse último grupo está o trecho escavado sob a capela de Santa Luzia, tombada pelo elo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo.  A pequena edificação foi inaugurada em 1922, projetada pelo italiano Giovanni Battista Bianchi (1885-1942).

Dessa forma, o plano de ataque desenvolvido para esse trecho foi retirar um volume de terra suficiente para viabilizar a construção de oito subsolos, sendo cinco deles destinados a estacionamentos e os demais abrigarão áreas do hotel, como cinema e espaço destinado a eventos.

Para complicar, toda a movimentação de terra deveria acontecer sem causar qualquer dano à estrutura histórica já tão comprometida pelo efeito do tempo.

Você deve ter visto. Afinal, as escavações sob a capela Santa Luzia geraram uma imagem que se difundiu em grupos e redes sociais de engenheiros: a da igreja que parece flutuar sobre o terreno escavado. Mas você pode estar se perguntando, como isso foi feito?

Cidade Matarazzo

O projeto da Capela da Cidade Matarazzo

O projeto foi realizado pelos engenheiros Mario Franco (JKMF Fundações) e Carlos Eduardo Moreira Maffei (Maffei Engenharia). Assim, os projetistas previram a construção de grande estrutura de transição. Dessa forma, ela permitiu a transferência dos esforços verticais de uma fundação rasa para outra profunda.

A intervenção contemplou o reforço da estrutura existente e a manutenção da capela sobre uma laje de concreto. Enquanto isso, as escavações removiam o solo abaixo dela.

Para apoiar a capela foram executados oito estacas de concreto com 90 cm de diâmetro. Estas têm aproximadamente 45 m de profundidade.

Para garantir um rigoroso controle de recalque foram utilizadas dezenas de pontos de monitoramento. São inclinômetros, marcos superficiais e pinos de recalque.

Esses instrumentos foram instalados para monitorar a segurança da obra. Dessa forma, fazem a avaliação do desempenho das contenções e checam a influência das escavações nas construções vizinhas.

Atualmente em curso, a segunda fase da renovação da capela prevê o restauro completo da estrutura. Assim, o trabalho inclui a recuperação de mobiliário e de objetos originais como imagens sacras, altar de mármore, bancos e pintura da parede.

Para ter noção do arrojo da engenharia para escavação sob a capela Santa Luzia, não deixe de assistir à reportagem.

BIM no Cidade Matarazzo

As obras para a construção do Cidade Matarazzo estão sob a direção técnica do engenheiro Maurício Bianchi. Além disso, contam com a participação de empresas como a Tessler Engenharia e o consórcio RFM – Sérgio Porto.

Assim, no vídeos abaixo, você pode conferir entrevista com os engenheiros Maurício Bianchi, Laura Nogueira e José Rodrigo Borges Tavares.

Um dado importante sobre as obras do Cidade Matarazzo é a utilização do BIM (Building Information Model). Dessa forma, todo planejamento e acompanhamento da execução está sendo feito com a ajuda da modelagem 3D.

Nesse caso, a tecnologia está ajudando os engenheiros na visualização da obra e das etapas construtivas. Além disso, auxilia no entendimento da divisão de centros de custo. Assim, ajuda nas contratações com os quantitativos assertivos e, até mesmo, na gestão financeira   

Considerações finais sobre o Cidade Matarazzo

Este post procurou mostrar um pouco mais sobre o Cidade Matarazzo, complexo hoteleiro de luxo em construção na capital paulista. Como você pode perceber, essa obra envolve uma série de desafios.

Entre eles é possível citar: preservação das edificações existentes; trabalho em espaços confinados, logística complexa em função da localização em área densamente ocupada; programa complexo e de alto padrão.

Cidade Matarazzo

Antes de concluir, gostaria de recomendar a você a leitura de outros artigos publicados pelo Buildin. Afinal, eles também enfatizam feitos interessantes da engenharia nacional.

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Até a próxima!