19 setembro 2018

Colaboradores

Como a modelagem BIM pode ajudar você nas estimativas do custo na fase de viabilidade

Original de Buildin
Modelagem BIM
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A modelagem BIM (building information modeling, ou modelagem da informação da construção) é sem dúvida a grande revolução do mercado de Engenharia, Arquitetura e Construção (EAC). Muito mais do que uma nova ferramenta de desenho, trata-se de uma mudança de paradigma. Desde o normógrafo, até os softwares CAD (computer aided design, ou desenho assistido por computador), os desenhos técnicos sempre foram representações abstratas da edificação. Na modelagem BIM o edifício é construído virtualmente e as representações gráficas em 2D são o resultado de seções ou vistas extraídas automaticamente do modelo 3D.

Modelagem 5D

A Modelagem da Informação da Construção (BIM) traz novidades também para o planejamento e orçamento da obra. A atribuição de parâmetros aos componentes modelados (como características físicas, custo unitário, data de execução, responsável pela execução etc.) permite a inclusão no modelo das dimensões tempo e dinheiro. Conhecidas como modelagem 4D e 5D, respectivamente, possibilitam o planejamento e o acompanhamento físico-financeiro da do projeto, desde a concepção até a entrega da obra.

BIM não faz milagre!

O potencial da modelagem BIM é enorme mas, muitas vezes, tem sido confundido com milagre. É o caso das estimativas de custo na fase preliminar do projeto, em que a modelagem pode ajudar a ganhar tempo no levantamento de quantitativos, mas não irá resolver sozinha o problema da imprecisão das estimativas. Conhecer as limitações é importante para que não haja frustração.
Um custo só é verdadeiramente conhecido após estar realizado, ou seja, após a iniciativa ter sido concluída. O custo realizado é resultado da soma das quantidades de todos os insumos multiplicadas pelos respectivos custos unitários. As quantidades de insumos são consequência:

do projeto: que definirá quais e quantos elementos construtivos serão necessários;
das especificações: que definirá quais insumos serão necessários para cada elemento;
dos índices de produtividade da mão de obra e consumo de material: que definirá quantos insumos serão necessários para executar cada elemento.
É um mundo de informação, que não dispomos na fase preliminar do projeto.

Composições

As composições são arranjos de insumos e suas respectivas quantidades necessárias para realizar uma unidade de um serviço composto por mais de um insumo e ajudam a agilizar o levantamento da quantidade de insumos. As composições se dão em diversos níveis, conforme o quadro da Figura 1, baseado no sistema de informação de custo da Prefeitura do Rio de Janeiro SCO-RIO, desenvolvido e mantido pela FGV. Quanto mais alto o nível da composição, menor a necessidade de levantamento de quantitativos no projeto e maior a necessidade de estimativas de consumos sujeitas a inexatidão. Uma composição de custos pode atingir até o nível da construção, onde o custo unitário corresponderia ao custo para a execução de uma unidade (1m2) da construção. Ao elevar o nível da composição até a construção, além da estimativa de consumo dos insumos para a execução de um determinado serviço, passamos a lidar também com uma estimativa do quantitativo de serviços necessários para a execução de um metro quadrado da construção, que varia significativamente entre diferentes soluções de projeto.

Composições BIM

Figura 1 – Clique na imagem para aumentá-la

Composições na modelagem BIM

Na modelagem BIM é possível parametrizar as composições na modelagem dos elementos como no exemplo da Figura 2, em que a composição parede básica contém as sub-composições alvenaria de bloco, emboço e pintura. Cada uma delas por sua vez pode seus respectivos insumos ou sub-composições parametrizados, tais como bloco, argamassa e serviços de assentamento (realizado por uma equipe de pedreiro e servente) para a sub-composição alvenaria de bloco. Ou seja, nada muda em relação às eventuais imprecisões da estimativa por quantificação.

Composições na modelagem BIM

Figura 2 – Clique na imagem para aumentá-la

Como a modelagem BIM pode ajudar?

A modelagem BIM não ajuda em nada? É claro que ajuda: a ganhar tempo no levantamento do quantitativo das composições. Para a fase preliminar dos projetos, Soares e Amorim propõem a composição dos custos unitários de objetos macro. Para um edifício comercial, os autores definiram 6 objetos: cobertura padrão, fachada comercial, fachada contenção subsolo, piso comercial, piso garagem subsolo e áreas urbanizadas/paisagismo. Com a quantificação automática desses objetos em um modelo BIM o projetista pode conhecer os custos estimados do projeto simultaneamente ao seu desenvolvimento. Mas a precisão dessas estimativas dependerá da fidelidade entre os parâmetros das composições e a realidade do projeto, que em um nível macro não costuma ser elevada.

O software DProfiler se intitula um Macro BIM oferecendo apenas as funcionalidades de modelagem e parametrização de composições macro. No entanto, qualquer software BIM pode ser usado para o mesmo fim utilizando os comandos de criar/editar massa. Em ambos os casos, a composição e os respectivos custos podem ser detalhada na modelagem ou é possível extrair do modelo apenas o quantitativo da composição e realizar o quantitativo de insumos e a estimativa dos custos em planilha eletrônica.

Na fase de concepção de projetos complexos e não padronizados, no entanto, o mais indicado é a utilização da estimativa por comparação paramétrica probabilística, conforme recomendado pela NASA. Nesse caso, a ajuda da modelagem BIM fica restrita ao levantamento dos elementos macro que participem das variáveis explicativas do custo no modelo estatístico.

E você? Usa a modelagem 5D? Como você faz as estimativas preliminares? Conta pra gente! Um conhecimento só é válido quando compartilhado!

Quer saber tudo sobre Tecnologia BIM? Então leia este post especial com tudo sobre o assunto!

 

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Autor
Flávia Lima

Profissional com experiência no desenvolvimento de projetos e no acompanhamento de obras, tendo ocupado o cargo de gerente de projetos na Mareines+Patalano Arquitetura, onde atuou de 2005 a 2013, tendo participação efetiva em todos os projetos desenvolvidos pelo escritório nesse período.
Experiência na execução de obras de empreendimentos imobiliários de 2007 a 2009, com atuação no canteiro em todas as etapas de execução, desde as fundações até a entrega da obra.
Especialista em Custo e Inovação, Flávia é Arquiteta e Urbanista pela (FAU/UFRJ + Universidade do Porto). Além disso, é Mestre em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ) na área de Gestão e Inovação.
Também é Doutoranda em Arquitetura (PROARQ/UFRJ) e Sócia fundadora da CUG Consultoria, startup residente da Incubadora de empresas da COPPE/UFRJ (www.cugconsultoria.com).
Flávia Lima também é autora de Custo Unitário Geométrico, metodologia inovadora de modelagem estatística para estimativa probabilística do custo de construção na fase preliminar do projeto de edificações.
Professora substituta do Departamento de Projeto de Arquitetura do curso de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo UFRJ de 2016 a 2018, ministrando diversas disciplinas de projeto e a disciplina eletiva “relação teoria e prática”, com foco no custo das decisões arquitetônicas.

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