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Você sabe que investir em sustentabilidade na construção é um jogo no qual todos ganham. Para os empreendedores, práticas ambientalmente corretas para construção valorizam os empreendimentos. Para o consumidor, o ganho está na redução de custos de operação e na disponibilidade de usufruir de ambientes com melhor qualidade interna. Não precisamos nem dizer sobre os impactos positivos das construções sustentáveis para entorno e que beneficiam toda a sociedade, não é? Melhor qualidade do ar, menor consumo de recursos finitos são apenas dois ganhos entre os mais óbvios.

Desafios pelo caminho

Se construir de forma mais ecológica é imperativo, como fazer isso na prática muitas vezes é desafiador. Sabe por quê?

Primeiro porque a concepção de edifícios verdes tende a ser mais complexa e trabalhosa do que a de uma construção erguida sem essa preocupação. Projetar edifícios sustentáveis requer um conhecimento que vai além da especificação de produtos cercados de adjetivos como “verde” e “ecológico”.

Além disso, muitas vezes há resistência dos contratantes em investir em sistemas que agreguem eficiência aos edifícios, principalmente porque isso pode exigir investimentos iniciais mais elevados.

Foi pensando nisso que preparamos este post. O objetivo é elencar 8 pontos que devem ser obrigatoriamente trabalhados em projetos de edifícios que almejam ser sustentáveis. Quer saber mais sobre eles? Então, continue conosco:

1. Escolha do terreno

A sustentabilidade deve ser pensada em uma etapa anterior ao início do projeto. A escolha do terreno, por exemplo, pode contribuir para a preservação de áreas verdes naturais. Também pode impactar em maior ou menor grau a malha viária urbana, por exemplo.

2. Ventilação natural

Um bom projeto de arquitetura naturalmente busca a melhor combinação entre orientação solar, formato do edifício, posicionamento correto das faces de vidro e sombreamento externo.

Você sabe que o aproveitamento adequado do vento ajuda a manter a qualidade interna do ar por causa da troca constante. Outro benefício de aproveitar a ventilação natural é a redução de gastos energéticos graças à diminuição do uso de ar-condicionado.

E não é difícil aproveitar a ventilação natural nos projetos. Técnicas como ventilação cruzada e torre de vento são simples de executar, econômicas e de grande impacto na eficiência dos edifícios.

3. Seleção de materiais criteriosa

A especificação dos materiais é um ponto-chave no desenvolvimento de uma construção sustentável. Esse processo deve levar em conta a possibilidade de reciclagem ou reaproveitamento dos materiais, bem como o impacto gerado em sua extração e fabricação.

Produtos que têm em sua composição compostos poluentes ou que demandam muita energia para serem produzidos devem ser evitados e substituídos por equivalentes mais ecológicos.

Também é importante evitar o greenwashing e distinguir o que é genuinamente sustentável do produto encoberto por uma “maquiagem verde”. Um cuidado importante nesse sentido é exigir uma declaração completa de análise de ciclo de vida aos fabricantes.

4. Eficiência do uso da água no edifício

Uma das principais características dos edifícios verdes é o consumo racional de água. Para isso, a indústria oferece uma infinidade de soluções economizadoras, que devem ser selecionadas levando em conta características das edificações.

Entre as opções disponíveis, podemos destacar desde bacias com caixa acoplada, torneiras automáticas e medidores individuais de consumo. Também cabe citar o paisagismo com sistema de irrigação moderno e/ou com plantas que demandam pouca água.

O uso de fontes alternativas para diminuir a demanda por água potável também contribui para a mitigação de impactos ao meio ambiente. Isso pode ser feito com o uso de cisternas para armazenamento da água da chuva ou pisos drenantes que permitem a coleta da água para reutilização, inclusive para a manutenção da edificação.

Se quiser saber mais sobre esse tema, leia esse trabalho focado em estratégias para edifícios de escritórios.

5. Uso inteligente da energia

Assim como ocorre com a água, um projeto que almeja ser sustentável precisa contemplar estratégias para que a edificação faça o mínimo de consumo de energia possível, sem prejudicar o conforto dos usuários.

Para atingir a melhor eficiência energética, ferramentas de análises climáticas, como o uso de simulações computacionais, podem direcionar melhor as decisões de projeto. Também é possível se valer de uma série de tecnologias, como elevadores com sistema de frenagem regenerativa, automação predial, etc.

Para atingir um grau de sustentabilidade ainda mais elevado, quando possível, vale investir na autogeração de energia. Isso pode ser feito com a implantação de placas fotovoltaicas ou turbinas eólicas, por exemplo.

6. Análise de ciclo de vida da edificação

Uma edificação sustentável deve ser projetada para ser duradoura e de forma que possa ser desmontada com o menor impacto possível quando acabar o seu ciclo de vida. O design, por sua vez, tem de ser o mais flexível possível para que o edifício possa ser reciclado e modificado sempre que necessário.

Os empreendimentos são projetados para durar mais de 50 anos. Durante esse período é provável que as necessidades dos usuários mudem. Para permitir que boa parte dessa estrutura possa ser reciclada ou reutilizada, um projeto que possa ser facilmente remodelado, o bom emprego dos materiais e a manutenção da edificação são bastante relevantes.

7. Canteiro sustentável

Uma obra sustentável não pode prescindir de um canteiro organizado, onde desperdícios, improvisações, acidentes e incômodos à vizinhança sejam reduzidos ao máximo. Para isso, um planejamento que minimize perdas e maximize a eficiência é  fundamental.

Em especial na área de logística, quatro práticas se destacam:

  • Receber materiais paletizados – para evitar quebras e desperdícios;
  • Dar preferência a materiais e matérias-primas de fornecedores próximos à obra, reduzindo a quantidade de emissões de CO2;
  • Implantar sistemas para reuso de água pluvial no canteiro – Ela pode ser usada para a lavagem de rodas de caminhões, por exemplo.
  • Ter um bom plano de gestão de resíduos que, preferencialmente, contemple o uso de resíduos da construção civil (RCD) no próprio canteiro.

Sobre o combate ao desperdício, recomendo a leitura do ebook gratuito Desperdício na Construção.

8. Sistemas construtivos industriais

É um contrassenso falar em sustentabilidade na construção e usar sistemas construtivos que induzem ao desperdício ou são intensivos consumidores de água e geradores de entulho.

Para você ter uma ideia, obras residenciais ou comerciais que utilizam processos construtivos convencionais (estrutura de concreto armado e alvenaria com blocos de concreto ou cerâmicos) geram entre 0,10 e 0,15 m³ de resíduos da construção civil (RCC) por metro quadrado de área construída. Isso é muita coisa.

Adotar práticas de execução industrializada pode agregar ganhos relacionados à sustentabilidade, como diminuição dos desperdícios, redução de emissões e do consumo de água. Em comparação a um canteiro de obras, um ambiente industrial tende a ter uma produção mais controlada, permitindo a racionalização no uso dos materiais e melhorando as condições de trabalho dos operários.

Se quiser saber mais sobre a importância da industrialização para a construção civil, não deixe de ler essa entrevista que realizamos com o engenheiro Jonas Medeiros.

Conclusão

Ao longo desse artigo você percebeu que adotar a sustentabilidade na construção requer uma abordagem ampla, que começa nas etapas mais iniciais de um desenvolvimento imobiliário.

Você viu também que o retorno do investimento em sustentabilidade é certo, não só ambiental, como também financeiro, especialmente por conta da redução de custos operacionais.

Se você quiser saber mais sobre sustentabilidade na construção, sugerimos a leitura de dois outros posts. O primeiro explica como aplicar a sustentabilidade em diferentes etapas da obra. O segundo dá dicas práticas para fazer a gestão de resíduos. Até a próxima!

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