9 maio 2018

Compras & Orçamentos

Como deve ser um diário de obras – Parte 1

Original de Buildin
Diário de obras RDO
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Uma discussão interessante sobre diário de obras (ou registro diário de obras – RDO) ganhou espaço no LinkedIn alguns dias atrás. A colega Giseli Barbosa Anversa consultou os colegas sobre como eles veem a figura do RDO no âmbito das empresas e que sugestões têm a fazer.

Tendo lido os comentários e revendo meu histórico de obras e consultoria, venho fazer minhas considerações sobre.

Eu já escrevi anteriormente sobre os erros mais comuns nos diários de obra, mas esta semana vou abordar como deve ser um bom sistema de RDO.

Quem deve fazer um diário de obras

Numa obra pequena, em que o engenheiro é, ao mesmo tempo, da produção, do suprimento, do planejamento e do RH, não tem escapatória: será ele mesmo o responsável por redigir o diário.

Passando para um ambiente mais amplo, de obra média/grande, meu entendimento é de que deve haver uma colaboração interna para a elaboração do RDO.

O engenheiro do escritório, a quem tradicionalmente compete a tarefa, não consegue saber o que aconteceu naquele dia em todas as frentes da obra.

Em obras maiores, como hidrelétricas e rodovias, não é raro as construtoras terem um setor de administração contratual que tem como uma de suas atribuições justamente manter o RDO. Mas mesmo assim é necessário conversar com o pessoal da produção.

Quando deve ser feito

O nome diário de obras já dá uma pista, porém eu quero perguntar ao leitor: o RDO é realmente preenchido diariamente? A resposta é: quase nunca.

Preencher RDO dá trabalho, é chato, toma tempo e os engenheiros têm coisas mais importantes a fazer (pelo menos eles assim acham). Dessa forma, preenchem todos os RDO da semana de uma única vez, quando não o fazem uma vez por mês. Isso é um erro, porque o engenheiro tem que resgatar da memória o que aconteceu, que dia foi, se houve troca de informações, etc. Às vezes, essas anotações estão numa agenda no banco de trás do carro e a informalidade (e o chute) terminam por imperar.

Minha sugestão é: se você não puder fazer o diário diariamente, crie uma sistemática: defina um horário fixo na semana e destine algum tempo para coletar as informações relevantes.

O que registrar

A finalidade primária do RDO é registrar o que ocorreu naquele dia. Num quartel, numa fábrica, ou numa missão de trabalho é comum que se faça um livro de partes diárias. Numa obra não pode ser diferente.

A figura abaixo ilustra o que seria um registro ideal, por sua abrangência e detalhe de informações.

Diário de Obras

Para que serve

O diário de obras tem múltiplas utilidades. Uma delas, cujo valor só se percebe quando há conflito entre contratante e contratada, é servir de registro histórico que valha como prova.

O que mais ocorre quando se deflagra uma controvérsia contratual é o construtor alegar que não teve frentes de serviço liberadas, que houve alteração de projeto de última hora e que suas equipes ficaram ociosas. De onde virá a comprovação de que isso realmente ocorreu? Do RDO! O diário de obras tem valor legal, por ser bilateral e contemporâneo aos fatos. Por isso, registre!

Eu lido bastante com resolução de controvérsias e arbitragem em contratos de construção. Uma matéria-prima que tenho para formar o convencimento é o RDO. No entanto, na maior parte das vezes eles padecem de alguns dos seguintes males:

  • Má redação;
  • Omissão de fatos;
  • Contradição em dias consecutivos (especialmente na quantidade de pessoas/equipamentos);
  • Rasuras.
  • Falta de assinatura – RDO é obrigação! O CONFEA tem uma resolução sobre o assunto.

Saiba mais sobre RDO na PARTE 2 deste post!

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Foto do Autor

Autor
Aldo Dórea Mattos

Uma das maiores autoridades brasileiras em Planejamento, Orçamento e Controle de Obras é um especialista Buildin.

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