5 setembro 2018

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Como fazer a gestão de resíduos de construção?

Original de Buildin
Gestão de resíduos de construção
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A crescente cobrança da sociedade e novas exigências legais têm exigido que as construtoras dediquem cada vez mais atenção à destinação de resíduos gerados em seus processos.

Iniciativas para redução e reaproveitamento desses materiais tornaram-se impositivas, assim como boas práticas no uso e descarte no canteiro.

Você sabe como esse tema é importante. Por isso mesmo, decidimos falar mais sobre os conceitos básicos que envolvem a gestão de resíduos. A ênfase será na separação adequada dos diferentes tipos de sobras geradas na obra. Também vamos dar dicas para quem quer fazer uma gestão de resíduos mais eficiente. Prossiga conosco:

O que são resíduos da construção?

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) considera resíduo da construção o entulho proveniente de obras, reformas, reparos e demolições. Também enquadram-se nesse grupo os resíduos resultantes da preparação e da escavação de terrenos. Estamos falando de tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc.

Como os resíduos se classificam?

O Conama, em sua resolução 307, classifica os resíduos sólidos da construção civil em quatro classes em função de sua composição. São elas:

CLASSE DESCRIÇÃO DO RESÍDUO EXEMPLO
A Materiais que podem ser reciclados ou reutilizados como agregado em obras de infraestrutura, edificações e canteiro de obras. Tijolos, telhas e revestimentos cerâmicos; blocos e tubos de concreto e argamassa.
B Materiais que podem ser reciclados e ganhar outras destinações. Vidro, gesso, madeira, plástico, papelão e outros.
C Itens para o qual não existe ou não é viável aplicação econômica para recuperação ou reciclagem. Estopas, lixas, panos e pincéis desde que não tenham contato com substância que o classifique como D.
D Aqueles compostos ou em contato de materiais/substâncias nocivos à saúde. Solvente e tintas; telhas e materiais de amianto; entulho de reformas em clínicas e instalações industriais que possam estar contaminados.

Na prática, o maior volume de resíduos sólidos da construção são sobras de materiais cerâmicos, argamassa e seus componentes. Esses itens representam em média 90% de todos os resíduos gerados em obras.

Os resíduos sólidos podem ser classificados, ainda, de acordo com o perigo que proporcionam, em três categorias:

  • Classe I – perigosos
  • Classe II – não inertes (contaminados)
  • Classe III – inertes

Os resíduos de construção e demolição (RCD) são predominantemente de Classe III, embora, devido à poluição, possam ser classificados como de Classe II.

Por que é importante classificar os resíduos? Porque cada tipo de resíduo deve receber uma destinação específica. Ainda de acordo com a resolução 307 do Conama:

  • Resíduos classe A devem ser reutilizados ou reciclados como agregados ou encaminhados a aterros de resíduos da construção civil. Esses materiais precisam ser dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
  • Resíduos classe B devem ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário. Devem ser dispostos de modo a permitir sua utilização ou reciclagem futura.
  • Resíduos classe C devem ser armazenados, transportados e destinados de acordo com normas técnicas específicas.
  • Resíduos classe D precisam ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

Desafios à gestão de resíduos

Segundo o Conama, os geradores (leia-se construtores) devem ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.

Em um primeiro momento, isso pode até parecer simples. Mas garantir o destino correto aos resíduos gerados em um canteiro de obras não é tarefa fácil. Sabe por quê?

Primeiro porque requer de quem está à frente do processo compreender todo o arsenal de leis e normas que regulamentam a atividade. Isso inclui legislações ambientais e leis municipais.

Além disso, o gestor de resíduos precisa lidar com a falta de pessoal capacitado para transportar os resíduos e com a carência de mais locais apropriados para a destinação final.

Quando o descarte envolve um material que tem valor comercial (sucata de aço, plástico e papel, por exemplo), o descarte é facilitado porque há uma grande quantidade de interessados. As construtoras podem selecionar e cadastrar cooperativas e aparistas legalizados nos órgãos municipais. Esses agentes se tornam aptos a receber o resíduo de construção como doação e, em contrapartida, assumem os custos com o frete.

O problema é quando resíduos a serem descartados não têm valor comercial (gesso, por exemplo) ou se enquadram na classe D (como asfaltos e lamas bentoníticas). Nesses casos, a oferta de locais para destinação é mais limitada, exigindo que a construtora reduza ao máximo a geração.

Plano de gestão de resíduos sólidos

Sempre que se inicia uma obra, o construtor deve apresentar o Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) do empreendimento para o órgão fiscalizador. A fiscalização, ao término da obra, irá comparar a quantidade estimada com a realizada de resíduos através de documentos da sua empresa e da empresa contratada para coleta.
O conteúdo do PGRCC deve contemplar: aspectos referentes ao diagnóstico dos aspectos construtivos e insumos previstos para a obra; prognóstico da geração de resíduos e; proposições de soluções para o correto manejo. O conteúdo mínimo para elaboração desses planos também encontra-se definido na própria Resolução nº 307 do Conama.

A seguir, confira três cuidados elementares para melhorar a gestão de resíduos no canteiro:

  1. Crie um processo de segregação que facilite a triagem dos resíduos para posterior reciclagem ou descarte;
  2. Defina o local para descarte de cada tipo de resíduo com identificação por categoria e especificação;
  3. Antes de enviar os resíduos para pontos de coleta através de empresa especializada, confirme se estes realmente devem ser descartados. Resíduos sólidos da construção civil de classe A podem ser reutilizados na própria obra ou ainda podem ser doados para alguma associação ou ONG que o recicle.

Como diminuir a geração de resíduos no canteiro?

Construir de forma mais racional, gerando menos desperdícios, é fundamental não apenas para diminuir o volume de resíduos gerados. Trata-se de uma questão financeira.

A seguir, elenco algumas ações simples que podem fazer grande diferença para reduzir o volume de resíduos gerados nos canteiros de obras:

  • Invista em planejamento. Com um bom planejamento, sua construtora pode evitar perda de materiais, de recursos financeiros e até mesmo da mão de obra;
  • Utilize um layout de canteiro inteligente, que evite perdas no transporte do depósito ao local de uso;
  • Aposte no treinamento dos funcionários com relação ao manejo e à segregação de resíduos;
  • Armazene os materiais da forma correta para evitar quebra;
  • Tenha líderes que reportem ao engenheiro da obra as ocorrências diárias e que auditem a produção de argamassa, por exemplo.
  • Identifique os locais de despejo dos resíduos conforme suas características;
  • Invista em tecnologias construtivas que permitam reduzir os desperdícios de materiais na obra. Para se ter uma ideia, obras residenciais ou comerciais que utilizam processos construtivos convencionais (estrutura de concreto armado e alvenaria com blocos de concreto ou cerâmicos) geram entre 0,10 e 0,15 m³ de resíduos da construção civil (RCC) /m² de área construída.
  • Procure utilizar RCD (resíduos da construção civil) no próprio canteiro. A fração mineral é a parcela dos RCD com presença mais significativa e que pode ser reciclada no próprio canteiro de obras.

Para saber mais sobre esse assunto tão complexo quanto importante, baixe o e-book gratuito Desperdício na Construção, com dicas fundamentais para combater o desperdício nas obras. Recomendo, também, a leitura desse artigo no qual falamos como aplicar a sustentabilidade na construção em diferentes etapas.

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Autor
Juliana Nakamura

Jornalista especializada no setor de construção civil, tem amplo conhecimento do mercado imobiliário e da engenharia civil. Sua experiência na cobertura de obras, debates e eventos do setor a torna um dos principais nomes do jornalismo especializado no Brasil!

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