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A modelagem BIM (building information modeling, ou modelagem da informação da construção) é sem dúvida a grande revolução do mercado de Engenharia, Arquitetura e Construção (EAC). Muito mais do que uma nova ferramenta de desenho, trata-se de uma mudança de paradigma. Desde o normógrafo, até os softwares CAD (computer aided design, ou desenho assistido por computador), os desenhos técnicos sempre foram representações abstratas da edificação. Na modelagem BIM o edifício é construído virtualmente e as representações gráficas em 2D são o resultado de seções ou vistas extraídas automaticamente do modelo 3D.

Modelagem 5D

A Modelagem da Informação da Construção (BIM) traz novidades também para a o planejamento e orçamento da obra. A atribuição de parâmetros aos componentes modelados (como características físicas, custo unitário, data de execução, responsável pela execução etc.) permite a inclusão no modelo das dimensões tempo e dinheiro. Conhecidas como modelagem 4D e 5D, respectivamente, possibilitam o planejamento e o acompanhamento físico-financeiro da do projeto, desde a concepção até a entrega do obra.

BIM não faz milagre!

O potencial da modelagem BIM é enorme, mas muitas vezes tem sido confundido com milagre. É o caso das estimativas de custo na fase preliminar do projeto, em que a modelagem pode ajudar a ganhar tempo no levantamento de quantitativos, mas não irá resolver sozinha o problema da imprecisão das estimativas. Conhecer as limitações é importante para que não haja frustração.

Um custo só é verdadeiramente conhecido após estar realizado, ou seja, após a iniciativa ter sido concluída. O custo realizado é resultado da soma das quantidades de todos os insumos multiplicadas pelos respectivos custos unitários. As quantidades de insumos são consequência:

  • do projeto: que definirá quais e quantos elementos construtivos serão necessários;
  • das especificações: que definirá quais insumos serão necessários para cada elemento;
  • dos índices de produtividade da mão de obra e consumo de material: que definirá quantos insumos serão necessários para executar cada elemento.

É um mundo de informação, que não dispomos na fase preliminar do projeto.

Composições

As composições são arranjos de insumos e suas respectivas quantidades necessárias para realizar uma unidade de um serviço composto por mais de um insumo e ajudam a agilizar o levantamento da quantidade de insumos. As composições se dão em diversos níveis, conforme o quadro da Figura 1, baseado no sistema de informação de custo da Prefeitura do Rio de Janeiro SCO-RIO, desenvolvido e mantido pela FGV. Quanto mais alto o nível da composição, menor a necessidade de levantamento de quantitativos no projeto e maior a necessidade de estimativas de consumos sujeitas a inexatidão. Uma composição de custos pode atingir até o nível da construção, onde o custo unitário corresponderia ao custo para a execução de uma unidade (1m2) da construção. Ao elevar o nível da composição até a construção, além da estimativa de consumo dos insumos para a execução de um determinado serviço, passamos a lidar também com uma estimativa do quantitativo de serviços necessários para a execução de um metro quadrado da construção, que varia significativamente entre diferentes soluções de projeto.

Composições BIM

Figura 1

Composições na modelagem BIM

Na modelagem BIM é possível parametrizar as composições na modelagem dos elementos como no exemplo da Figura 2, em que a composição parede básica contém as sub-composições alvenaria de bloco, emboço e pintura. Cada uma delas por sua vez pode seus respectivos insumos ou sub-composições parametrizados, tais como bloco, argamassa e serviços de assentamento (realizado por uma equipe de pedreiro e servente) para a sub-composição alvenaria de bloco. Ou seja, nada muda em relação as eventuais imprecisões da estimativa por quantificação.

Composições na modelagem BIM

Figura 2

Como a modelagem BIM pode ajudar?

A modelagem BIM não ajuda em nada? É claro que ajuda: a ganhar tempo no levantamento do quantitativo das composições. Para a fase preliminar dos projetos, Soares e Amorim propõem a composição dos custos unitários de objetos macro. Para um edifício comercial, os autores definiram 6 objetos: cobertura padrão, fachada comercial, fachada contenção subsolo, piso comercial, piso garagem subsolo e áreas urbanizadas/paisagismo. Com a quantificação automática desses objetos em um modelo BIM o projetista pode conhecer os custos estimados do projeto simultaneamente ao seu desenvolvimento. Mas a precisão dessas estimativas dependerá da fidelidade entre os parâmetros das composições e a realidade do projeto, que em um nível macro não costuma ser elevada. O software DProfiler se intitula um Macro BIM oferecendo apenas as funcionalidades de modelagem e parametrização de composições macro. No entanto, qualquer software BIM pode ser usado para o mesmo fim utilizando os comandos de criar/editar massa. Em ambos os casos, a composição e os respectivos custos podem ser detalhada na modelagem ou é possível extrair do modelo apenas o quantitativo da composição e realizar o quantitativo de insumos e a estimativa dos custos em planilha eletrônica.

Na fase de concepção de projetos complexos e não padronizados, no entanto, o mais indicado é a utilização da estimativa por comparação paramétrica probabilística, conforme recomendado pela NASA. Nesse caso, a ajuda da modelagem BIM fica restrita ao levantamento dos elementos macro que participem das variáveis explicativas do custo no modelo estatístico.

E você? Usa a modelagem 5D? Como você faz as estimativas preliminares? Conta pra gente! Um conhecimento só é válido quando compartilhado!

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