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Há aproximadamente 20 anos, a imagem de um cálice de vinho, cheio até a metade, era tema de discussão nas faculdades e palestras nos quatro cantos do Brasil e talvez do mundo. Fazia parte de qualquer conversa sobre construção de carreira.

Sem querer me estender nela, duas visões eram possíveis. Os otimistas enxergavam o cálice meio cheio. Ou seja, existia a possibilidade de se deliciar com a quantidade de vinho existente ali naquela taça. Já os pessimistas enxergavam que ali estava faltando metade.

Uso dessa metáfora para chamar nova atenção à difícil situação econômica atravessada pelo País. Na opinião de especialistas, talvez a pior dos últimos 60 anos. Além disso, para suas consequências na construção civil e na vida profissional e pessoal, incluindo a empregabilidade, dos colegas engenheiros.

Não bastassem as dificuldades “naturais” impostas pelo mercado, a galera que vem saindo das faculdades anda muito sem norte sobre o que fazer pós-faculdade.

Na prática, a sua formação envolve apenas questões e situações técnicas curriculares e qualquer desvio de trajeto tem se tornado um grande complicador.

Panorama do setor na construção de carreira

Ultimamente, muito tem sido falado sobre o uso de novas tecnologias na construção civil como forma de aumentar os índices de produtividade e lucratividade das empresas. É o advento da Construção 4.0.

Porém, as tendências da construção vão muito além de robôs autônomos, ciber segurança, sistemas integrados, computação em nuvem, realidade aumentada, impressão 3D, big-data, simulações e internet das coisas. Assim, a pergunta que não quer calar é: e o “Engenheiro 4.0”?

Ou esperamos ter resultados em termos de alta produtividade e lucratividade com a mentalidade e posicionamento de um “engenheiro 1.0”?

Vamos partir do ponto de vista do estudante de engenharia e do engenheiro recém-formado. Vejo a necessidade de uma melhor atenção e análise à construção de carreira. Ou seja, o que se quer seguir profissionalmente e qual o ponto principal para a sua realização pessoal e profissional.

Por mais chavão que possa parecer, fato é que a famosa frase dita pelo gato do filme “Alice no País das Maravilhas”, se encaixa perfeitamente nesse contexto.

Ao promover esse debate sobre construção de carreira, espero contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos novos engenheiros. E, por que não dizer, pela satisfação e felicidade dos novos entrantes no mercado da engenharia civil. Certamente, a carreira é determinante para um profissional bem sucedido que consegue equilibrar o trabalho com a vida pessoal.

Caminhar é fácil. Difícil é escolher o caminho para a construção de carreira

Nesse sentido, cito a seguir 10 passos importantes que poderão orientar os novos engenheiros a encontrar, diante de tanta incerteza de mercado de trabalho, um caminho profissional que lhe satisfaça e realize por meio da construção de carreira.

Passo #1 – Encontre o seu trabalho ideal

É de extrema importância para o jovem engenheiro saber encontrar em si próprio qual a área da engenharia com a qual mais se identifica.

De forma semelhante, é preciso saber mapear o mercado. Ou seja, buscar informações sobre quais as características do mercado nessa área e neste momento. Quais empresas estão contratando?

Dessa forma fica mais fácil fazer um cruzamento de informações com aquilo no que você é realmente bom. Ou seja, dentro da sua área de identificação. Além disso, permite avaliar se você dispõe das características e competências necessárias para assumir um cargo dessa natureza.

Passo #2 – Construa a sua imagem profissional

Como as outras pessoas o vêm dentro da sua profissão? Quais suas características diferenciais, suas qualidades, seus objetivos? Como se dá o seu crescimento profissional e a sua construção de carreira? É por meio das atitudes e ações que você projeta que se define a sua imagem profissional.

É a sua confiança em si próprio e nas suas capacidades e o direcionamento da sua construção de carreira que fornecem subsídios para a percepção que o mercado terá de você.

Desnecessário dizer que percepções positivas impulsionarão o crescimento de sua carreira.

Passo #3 – Estabeleça um plano próprio de desenvolvimento profissional e construção de carreira

Definidos o seu trabalho e sua imagem ideal pela qual você deseja ser visto, é necessário fazer uma introspecção para melhor avaliação do que você precisa aprender ou desenvolver. Isso para que você possa estar apto ao posto profissional desejado.

Um bom plano de autodesenvolvimento definirá como você irá aprender aquilo que precisa, quais os meios que você dispõe e quando os terá à disposição. Tudo contribui para a sua construção de carreira.

A auto eficácia, os objetivos bem definidos e uma boa expectativa de atingimento desses resultados, certamente lhe darão mais foco, direcionamento e controle na sua construção de carreira. Isso vai otimizar suas chances de atingir seus objetivos e acelerar a evolução de sua carreira.

Passo #4 – Prepare-se para assumir uma nova função

Toda mudança provoca diferentes tipos de reação nas pessoas. Não é diferente na construção de carreira. Afinal, assumir um novo e mais significativo papel profissional é desafiador para qualquer pessoa, por mais experiente que ela seja. Então, imagine para o jovem engenheiro recém-formado.

Assim, os três primeiros meses no novo emprego ou trabalho são cruciais! Se por um lado podem assustar, por outro se constituem num momento rico de oportunidades na construção de carreira.

Nesse sentido, é importantíssimo que você esteja preparado para minimizar os riscos e para aproveitar as oportunidades desse momento.

Passo #5 – Aumente sua empregabilidade

A empregabilidade é um fator que mede a sua capacidade de se empregar e manter-se ativo no mercado de trabalho. E ela varia ao longo da construção de carreira.

Aumentar a sua empregabilidade significa aumentar a sua capacidade de conquistar e manter o emprego que você deseja e que seja satisfatório e gratificante para você.

Quanto maior for a sua empregabilidade, maior será a sua capacidade de manter a sua carreira em ascensão e de recolocar-se no mercado, independente de épocas de crise.

Para tanto, é fundamental que você conheça quais as competências essenciais para o mercado onde quer atuar. Não, não basta ter se formado em engenharia e estar devidamente registrado no CREA. Isso é o básico; igual a saber andar para a frente! Para a construção de carreira você precisa de algo além.

Você precisa saber mapear o que o mercado deseja “de você” e reconhecer por quais motivos você preenche a essas exigências.

O E-Book MINDSET DE ENGENHEIRO – As 12 Competências Essenciais para o Engenheiro de Sucesso, que escrevi em 2018, mostra que os engenheiros precisam buscar informações extra faculdade. Ou seja, adquirir conhecimentos e desenvolver certas características e novas competências.

E como o mercado está cada vez mais exigente e as raras oportunidades de emprego exigem conhecimentos e experiência prévios, alguma atitude precisa ser tomada, e já!

Passo #6 – Supere as suas barreiras emocionais

Muitas barreiras encontradas no ambiente estudantil e profissional estão relacionadas à inteligência emocional.

A Inteligência Emocional é definida como a habilidade de identificar, entender e administrar as próprias emoções. Isso de modo a facilitar o relacionamento consigo próprio e com os demais colegas dos respectivos ambientes.

Cabe lembrar que as nossas emoções e pensamentos alimentam as nossas ações e que são decorrentes das influências externas a que estivermos expostos.

No que diz respeito à atuação profissional do engenheiro, a Inteligência Emocional é fundamental à sua construção de carreira. Afinal, é preciso lidar com fornecedores, clientes, equipes internas, de forma a manter a harmonia, cooperação e apoio para o atingimento de seus objetivo.

Passo #7 – Identifique as competências essenciais

É de fundamental importância que o novo engenheiro esteja consciente daquilo que quer para a sua vida profissional. Da mesma forma, precisa se auto conhecer. Ou seja, conhecer as suas forças, seus bloqueios, seus “pontos fracos” e aqueles que precisam ser melhorados.

Essa autorreflexão para construção de carreira, no entanto, precisa ser estruturada e requer métodos e objetivos definidos.

É importante reconhecer a sua própria responsabilidade, assumir o desafio de buscar encontrar as respostas certas para os resultados que se quer alcançar. Por exemplo, podemos citar alguns pontos.

Quais competências eu preciso desenvolver para assumir determinada função em uma determinada empresa?

Quais conhecimentos o desenvolvimento dessa competência irá requerer de mim?

Atualmente, como eu me avalio nessa competência?

De que modo essa competência poderá ser desenvolvida por mim?

Quais recursos serão necessários para eu desenvolvê-la? De quais desses recursos eu disponho no momento?

Quais mudanças me indicarão que eu estou no caminho certo da construção de carreira?

Passo #8 – Entenda a sua carreira

Vivemos um momento de grandes transformações nas relações de trabalho, principalmente quando o assunto é a construção de carreira profissional.

Antigamente nossos pais nos instruíam a “ir para escola, tirar boas notas, arranjar um bom emprego, com um salário bacana, onde poderíamos nos aposentar”.

Conceitualmente, “carreira” relaciona-se à trajetória profissional. No nosso caso, em determinada formação da engenharia, considerando-se as etapas naturais de sua evolução. Quero dizer: os avanços nos degraus que precisamos subir à medida que vamos conquistando experiências e adquirindo conhecimentos.

Os modelos “tradicional” e “contemporâneo” de carreira podem ser vistos em diversas empresas. Afinal, muitas delas ou ainda não cederam às transformações atuais ou vêm como algum tipo de vantagem competitiva para o seu modelo de negócio manter o modelo tradicional.

Porém, uma frase que sempre digo aos novos engenheiros é: os caminhos que lhe trouxeram até aqui, não são os mesmos que lhe levarão adiante.

construção de carreira

Com isso quero dizer que é muito importante que se conheça o mercado e as suas nuances. A estabilidade de outrora não existe mais, as relações de trabalho tendem a se tornar mais flexíveis, os profissionais sendo contratados como PJ e por projetos.

A satisfação pessoal passa a fazer parte dos objetivos profissionais além do salário, juntamente com outros fatores subjetivos como realização e equilíbrio pessoal e profissional.

E você, com qual conceito de carreira você mais se identifica?

Passo #9 – Participe de associações de classe

Muitos colegas engenheiros levantam discurso contra as dificuldades enfrentadas na nossa profissão. Isso principalmente em tempos de instabilidade econômica e financeira, baixos investimentos, PIB estagnado e mercado em retração.

É claro que o cenário de crise política e econômica que enfrentamos no País há alguns anos impactou negativamente a Engenharia nacional, com paralisação e suspensão de projetos e aumento do desemprego.

Vou citar uma frase que adoro, atribuída ao Sheik Mohammed. Ele um dos fundadores de Dubai, cidade dentre as que mais recebem investimentos mundiais e projetada num ambicioso projeto de ser a capital mundial dos negócios: “Tempos difíceis criam homens fortes; homens fortes criam tempos fáceis; tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis”.

Penso ser desnecessária qualquer explicação!

O quadro econômico pintado aqui logo acima, é reversível. Porém, é imprescindível que os engenheiros se unam enquanto a categoria profissional que está diretamente ligada com a melhoria da qualidade de vida da população.

Segundo fala do Presidente da SME (Sociedade Mineira de Engenheiros), Ronaldo Gusmão: “um país só é desenvolvido quando tem uma Engenharia forte”!

E é nessa vibe que se busca definir as diretrizes do trabalho de valorização da Engenharia e dos engenheiros, principalmente os mais jovens. É uma forma de oxigenação, reinvenção e contribuição para a retomada do processo de desenvolvimento profissional, social e econômico do Brasil.

Passo #10 – Informe-se sobre o meio de seu interesse

Fazer um mapeamento de mercado onde se quer atuar vai ajudar sobremaneira ao novo engenheiro a entender o “seu” novo mercado e a escolher a área de atuação. Ajuda também a identificar uma provável empresa onde gostaria de atuar.

Nesse cenário instável em que vivemos, um eficiente mapeamento de mercado é um importante aliado. Isso porque o intuito é investigar melhor o comportamento das empresas, os investimentos, as contratações, os novos projetos, dentre outros aspectos não menos importantes.

A realização de um mapeamento de mercado permitirá assertividade e racionalidade de tempo e energia na busca de um novo trabalho.

Mas, na prática, o que é esse mapeamento de mercado e como contribui na construção de carreira?

É um estudo que visa identificar as principais perspectivas e peculiaridades no cenário de negócios onde o novo engenheiro quer se inserir. Ajuda na avaliação das reais possibilidades, perspectivas, exigências, conhecimentos, experiências, ganhos financeiros, de carreira, perfil profissional e competências essenciais, necessárias para se almejar primeiro o ingresso e depois o sucesso profissional.

Dicas para novos engenheiros na construção de carreira

Para encerrar, deixo cinco dicas para os jovens engenheiros pensarem, se prepararem e planejarem as suas carreiras na engenharia, que é, sem dúvida, uma das mais belas profissões.

construção de carreira

1- Na indecisão entre cursar uma pós-graduação / especialização ou fazer cursos livres, opte pelos últimos;

2- Cuide da sua imagem pessoal, incluindo suas redes sociais;

3- Construa a sua biblioteca técnica, seu “arsenal de segurança”;

4- Nesse primeiro momento, não se prenda ao piso salarial da categoria. Primeiro adquira musculatura, depois vá para a “briga”;

5- Participe de eventos da sua área, como o Construsummit e os Construtalks. Faça um bom networking e invista nele.

Outras leituras recomendadas para a construção de carreira