Tudo sobre Construção Sustentável

Entenda o conceito, sua importância, conheça os principais materiais sustentáveis, como aplicar a sustentabilidade na construção, cases práticos, certificações ambientais e inovação sustentável

Você já sabe o quanto a sustentabilidade é um valor a ser buscado por quem projeta e constrói nos dias de hoje. Isso se deve a vários motivos. Primeiro pela necessidade de preservar recursos cada vez mais escassos na natureza. Depois por uma exigência crescente dos consumidores, que gradativamente se tornam mais conscientes e vigilantes.

Em resposta a esse movimento, temos visto o número de edificações verdes crescer. São edifícios em diferentes escalas, com funções das mais variadas, mas que têm em comum soluções que visam garantir eficiência energética, uso racional da água e qualidade do ambiente interno.

O Buildin preparou essa página em especial com tudo o que você deve saber para entender, de fato, Construção Sustentável!

Saiba o que você vai ver aqui:

O que é uma Construção Sustentável?

De acordo com a Agenda 21, a construção sustentável é definida como “um processo holístico que aspira a restauração e manutenção da harmonia entre os ambientes naturais e construídos, e a criação de assentamentos que afirmem a dignidade humana e encorajem a equidade econômica”.

Nesse sentido, a definição mais comum de que sustentabilidade tem a ver com uso consciente de recursos naturais fica limitada visto que a construção sustentável também traz consigo a sustentabilidade econômica e social.

Importância da Construção Sustentável

A construção civil é um dos setores mais importantes da economia de cada país, seja no Brasil ou no exterior. Segundo o Conselho Internacional da Construção (CIB), a indústria da construção é um dos campos que mais utiliza recursos naturais e energia. Isso faz com que os impactos no meio ambiente sejam consideráveis.

Para você ter uma ideia, a estimativa é de que mais de 50% dos resíduos gerados sejam resultado das atividades na construção civil. A consequência disso é uma relação de conflito entre o meio ambiente e o setor.

Benefícios

Hoje em dia, a prática da sustentabilidade na construção civil ainda é considerada um diferencial. No entanto, como esse mercado tem crescido e se tornado cada vez mais valorizado, os empreendimentos imobiliários pensados por meio do conceito da sustentabilidade, aos poucos, vão se tornando requisitos.

Conheça os principais benefícios de uma construção sustentável, tanto para quem constrói, quanto para quem compra um imóvel do gênero:

  • Redução dos custos de investimento e de operação
  • Valorização do produto
  • Novas oportunidades de negócios
  • Diminuição do desperdício
  • Otimização do uso de recursos
  • Demandam menos deslocamentos, poupando emissões de CO2

Desafios

Os desafios da construção sustentável, como é de se imaginar, são vários. Mas é possível destacar a diminuição do consumo de energia e otimização de materiais, sobretudo recursos naturais, como a água.

Conheça 5 dos principais desafios que devem ser enfrentados para tornar o setor cada vez mais sustentável:

  1. Gestão eficiente da água;
  2. Diminuição da utilização de materiais que geram grande impacto ambiental;
  3. Redução de resíduos da construção com modulação de componentes para diminuir perdas e especificações que permitam a reutilização de materiais;
  4. Potencializar o uso consciente de energias renováveis;
  5. Readequação de projetos flexíveis que atendam novas necessidades, evitando demolições.

Construção Sustentável é mais cara?

Sabe aquela história, investe-se mais agora para colher o fruto mais tarde? Então, é exatamente isso o que acontece com a construção sustentável. O preço de implementação de um projeto pensado de maneira sustentável pode gerar um custo de cerca de 15% maior do que um edifício convencional.

Em contrapartida, após a edificação estar pronta, a economia de recursos pode chegar a 30% durante os anos de uso do imóvel. Por exemplo, um sistema de aquecimento solar, pode ser pago em somente um ano de uso. Tudo isso por causa da economia que ele gera.

Já edificações que contam com sistema de reutilização da água podem ter uma economia de até 35%!

Conheça, no vídeo, o empreendimento que possui:

  • Placas fotovoltaicas que reduzem o consumo de energia em até 80% na taxa do condomínio
  • Sistema de captação da água da chuva
  • Horta orgânica
  • E gerenciamento próprio de resíduos

Materiais sustentáveis na Construção

De nada adianta pensarmos em construção sustentável se não olharmos para os materiais que utilizamos em obra. Por isso, veja a seguir uma lista de 10 materiais primordiais para tornar um imóvel o mais sustentável possível.

1. Bioconcreto

Parece milagre, mas não é! A explicação do bioconcreto tem nome: a própria natureza! A superbactéria Bacillus pseudofirmus é inserida na mistura de concreto tradicional e é ativada quando entra em contato com água ou oxigênio.

Mesmo que a ideia soe coisa de filme, foram pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, que a desenvolveram. O material criado por eles é capaz de regenerar construções degradadas.

As superbactérias podem sobreviver em ambientes tão agressivos quanto vulcões em erupção.

Elas formam esporos e são capazes de viver por cerca de 200 anos em edificações!

Se o concreto começa a se desgastar, as Bacillus pseudofirmus entram em cena. Elas se abrem e, por meio de reações químicas, as bactérias auxiliam na regeneração do concreto.

2. Telhado verde

Essa é uma excelente alternativa para unir o que é esteticamente agradável ao útil! A ideia do telhado verde consiste tanto em reduzir os impactos causados pela falta de arborização, quanto em amenizar a temperatura dentro do imóvel.

O que ocorre é que as plantas funcionam como um filtro de ar natural, refletindo mais raios do sol que telhas convencionais.

De acordo com uma pesquisa do EnergySavers, os telhados verdes são capazes de diminuir as conhecidas ilhas de calor bastante frequente em grandes cidades.

A imagem corresponde ao telhado do Shopping Eldorado, em São Paulo.

3. Bambu


Crédito: http://www.dryplan.com.br/blog/ler/pID/137/concreto-armado-com-bambu

O bambu é também outro excelente material para ser usado na construção. Ao contrário de outras espécies, ele tem um crescimento acelerado, o que permite que sua colheita seja feita todos os anos sem prejudicar o meio ambiente.

Além disso, o bambu tem alta durabilidade, possui fácil instalação e manutenção. O material pode ser utilizado com diversos fins na construção civil. Seja como matéria prima para a fabricação de portas e pisos, seja para substituir o concreto armado, conforme você vê na imagem.

4. Isopet

O nome do material é bem sugestivo: ele é uma mistura de isopor (EPS reciclado) e garrafas PET. A matéria prima é desenvolvida em formato de blocos que podem ser encaixados no sistema macho-fêmea e cobri-los com uma camada de concreto de densidade baixa. Assim, não é necessário mais nenhum produto como areia.

A substituição desse tipo de material no lugar dos convencionais blocos faz com que se reduza o consumo de energia elétrica e também o valor final da obra.

O Isopet também é resistente ao fogo.

5. Replast

A startup americana ByFusion é responsável pela criação do tijolo Replast. O principal objetivo da ideia é desenvolver um material sustentável com plástico.

O tijolo é produzido com a compressão de resíduos plásticos em blocos modulares que podem ser de diferentes formas e densidades.

O interessante é que como eles podem ser encaixados uns nos outros, não necessitam de cola ou adesivo.

Fora isso, o processo de fabricação do Replast não polui a natureza pois não emite CO².

Saiba mais sobre o material:

6. Adobe

O tijolo de adobe é feito a partir da mistura de argila, com areia e água. Ele é bastante usado sobretudo em regiões de solo argiloso e clima seco e são cada vez mais comuns em cidades brasileiras.

O adobe é ótimo para a construção de alvenarias estruturais externas, porque, depois de seco, adquire uma alta resistência e excelente propriedade acústica.

7. Tinta ecológica

As tintas ecológicas são feitas por meio de matérias-primas totalmente naturais. Não são utilizados insumos derivados do petróleo, por exemplo, nem componentes sintéticos.

Algumas tintas são, inclusive, livres de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) que podem ser agressivos à saúde, além de contribuir para a destruição da camada de ozônio.

8. Vidro inteligente

Os chamados vidros eletrocrômicos são uma novidade que prometem virar tendência na construção sustentável. Eles possibilitam o controle de quanto uma área será iluminada e também permitem o controle de transparência aos raios solares na fachada ou até mesmo em ambientes internos.

Dependendo da temperatura do dia, é possível ajustar os controles para maior ou menor entrada de luz pelo vidro. Estima-se uma economia de mais de 25%, já que se evita gastos com iluminação, ventilação e ar-condicionado.

9. Lâmpadas de alta eficiência energética

As lâmpadas fluorescentes compactas, ainda que mais caras que as comuns, compensam o gasto inicial na economia de energia, que fica até 80% menos e duram 10 vezes mais que as convencionais.

As lâmpadas de LED são uma grande tendência, cada vez mais difundida. Elas desperdiçam pouca energia e não esquentam.

10. Containers


Crédito: https://fotos.habitissimo.com.br/foto/casas-container-2-andares_1163183

Ainda que os containers não sejam exatamente um material de construção, merecem destaque!

O setor tem olhado cada vez mais para a construção com containers. O que era apenas moda, passou a ser uma técnica sustentável.

As estruturas de containers economizam até 30% na construção de uma casa ou edifício em relação a um projeto tradicional.

A Construção Industrializada como ferramenta de sustentabilidade

A construção industrializada se dedica a transformar o canteiro de obras em uma linha de montagem, semelhante ao que ocorre em outras indústrias, como a automobilística.

Para isso, baseia-se na aplicação sistemas pré-fabricados, que chegam ao canteiro prontos para serem montados.

Atualmente, a indústria da construção oferece uma série de soluções industrializadas que podem substituir os processos artesanais, agregando agilidade, qualidade, economia e, claro, sustentabilidade.

Confira a seguir alguns deles:

Drywall

Sistema para produção de paredes internas e forros. É composto por estrutura de aço galvanizado e chapas de gesso acartonado aparafusadas. Quando utilizam o sistema sanduíche (com duas chapas recheadas com lãs minerais), as paredes de drywall podem ter o seu desempenho termo acústico melhorado. Isso viabiliza sua aplicação, inclusive, em auditórios e salas de cinema.

Painéis arquitetônicos

Um dos principais ícones da construção industrializada, os painéis arquitetônicos são uma alternativa às fachadas tradicionais de alvenaria. As peças são pré-fabricados em concreto armado e recebem, ainda na fábrica, revestimento incorporado em suas faces externas. Uma vez no canteiros, ao painéis são içados e fixados à estrutura por meio de inserts metálicos.

Painéis metálicos termoisolantes

São bastante empregados em obras industriais, especialmente para compor ambientes que demandam temperaturas controladas. Geralmente são confeccionados em aço, alumínio ou chapas de polímero perfiladas a quente com recheio isolante. A forma de instalação é parecida com a dos painéis arquitetônicos e emprega perfis ou encaixes tipo macho e fêmea metálicos.

Banheiro pronto

Consiste em módulos de concreto armado ou reforçado com fibras que chegam ao canteiro prontos (inclusive com louças, metais e revestimentos). No canteiro, os banheiros só precisam ser conectados às redes de água, esgoto e energia. São indicados em obras com grande grau de repetição, como em hotéis, por exemplo.

Estrutura de aço

A estrutura de aço, em substituição a elementos estruturais de concreto moldado in loco, permite transformar o canteiro em uma linha de produção. As peças são produzidas na fábrica em medidas específicas para atender ao projeto e chegam à obra para a montagem, normalmente feita com ligações parafusadas ou soldagem. Se quiser saber mais sobre o uso da estrutura de aço, leia esse post publicado no Buildin.

Estrutura pré-fabricada de concreto

Trata-se de uma solução cada vez mais utilizada em obras comerciais e industriais. Consistem em pilares, vigas e lajes de concreto que são produzidos em formas e dimensões variados. Esses elementos estruturais devem atender à NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado.

Steel frame

Baseado no uso de perfis de aço estrutural leve, esse sistema pode ser utilizado na construção de edifícios com até sete pavimentos, e como fechamento externo de fachadas para edifícios de múltiplos pavimentos.

Placas cimentícias

Fabricadas com cimento Portland, agregados finos e fibras sintéticas de reforço, substituem a alvenaria em obras executadas com estruturas convencionais ou com estruturas pré-fabricadas (metálicas ou de concreto). Podem ter formulações especiais para uso interno ou externo.

Wood frame

Sistema construtivo industrializado composto por frames confeccionados com perfis leves de madeira proveniente de florestas plantadas. Segundo dados da Tecverde, o wood frame pode reduzir em 85% a geração de resíduos na construção civil e diminuir em 90% o uso de recursos hídricos. Além disso, oferece alta velocidade de produção (é três vezes mais rápido do que alvenaria estrutural) com redução de mão de obra.

Está gostando?

Então assista ao webinar com a Tecverde, empresa pioneira no uso da tecnologia wood frame no Brasil. Na ocasião, foi discutido com a Tecverde está inovando a industrialização na construção civil a partir da sustentabilidade e de um novo método construtivo.

8 passos para aplicar a sustentabilidade na Construção

1. Escolha do terreno

A sustentabilidade deve ser pensada em uma etapa anterior ao início do projeto. A escolha do terreno, por exemplo, pode contribuir para a preservação de áreas verdes naturais. Também pode impactar em maior ou menor grau a malha viária urbana, por exemplo.

2. Ventilação natural

Um bom projeto de arquitetura naturalmente busca a melhor combinação entre orientação solar, formato do edifício, posicionamento correto das faces de vidro e sombreamento externo.

Você sabe que o aproveitamento adequado do vento ajuda a manter a qualidade interna do ar por causa da troca constante. Outro benefício de aproveitar a ventilação natural é a redução de gastos energéticos graças à diminuição do uso de ar-condicionado.

E não é difícil aproveitar a ventilação natural nos projetos. Técnicas como ventilação cruzada e torre de vento são simples de executar, econômicas e de grande impacto na eficiência dos edifícios.

3. Seleção de materiais criteriosa

A especificação dos materiais é um ponto-chave no desenvolvimento de uma construção sustentável. Esse processo deve levar em conta a possibilidade de reciclagem ou reaproveitamento dos materiais, bem como o impacto gerado em sua extração e fabricação.

Produtos que têm em sua composição compostos poluentes ou que demandam muita energia para serem produzidos devem ser evitados e substituídos por equivalentes mais ecológicos.

Também é importante evitar o greenwashing e distinguir o que é genuinamente sustentável do produto encoberto por uma “maquiagem verde”. Um cuidado importante nesse sentido é exigir uma declaração completa de análise de ciclo de vida aos fabricantes.

4. Eficiência do uso da água no edifício

Uma das principais características dos edifícios verdes é o consumo racional de água. Para isso, a indústria oferece uma infinidade de soluções economizadoras, que devem ser selecionadas levando em conta características das edificações.

Entre as opções disponíveis, podemos destacar desde bacias com caixa acoplada, torneiras automáticas e medidores individuais de consumo. Também cabe citar o paisagismo com sistema de irrigação moderno e/ou com plantas que demandam pouca água.

O uso de fontes alternativas para diminuir a demanda por água potável também contribui para a mitigação de impactos ao meio ambiente. Isso pode ser feito com o uso de cisternas para armazenamento da água da chuva ou pisos drenantes que permitem a coleta da água para reutilização, inclusive para a manutenção da edificação.

5. Uso inteligente da energia

Assim como ocorre com a água, um projeto que almeja ser sustentável precisa contemplar estratégias para que a edificação faça o mínimo de consumo de energia possível, sem prejudicar o conforto dos usuários.

Para atingir a melhor eficiência energética, ferramentas de análises climáticas, como o uso de simulações computacionais, podem direcionar melhor as decisões de projeto. Também é possível se valer de uma série de tecnologias, como elevadores com sistema de frenagem regenerativa, automação predial, etc.

Para atingir um grau de sustentabilidade ainda mais elevado, quando possível, vale investir na autogeração de energia. Isso pode ser feito com a implantação de placas fotovoltaicas ou turbinas eólicas, por exemplo.

6. Análise de ciclo de vida da edificação

Uma edificação sustentável deve ser projetada para ser duradoura e de forma que possa ser desmontada com o menor impacto possível quando acabar o seu ciclo de vida. O design, por sua vez, tem de ser flexível para que o edifício possa ser reciclado e modificado sempre que necessário.

Os empreendimentos são projetados para durar mais de 50 anos. Durante esse período é provável que as necessidades dos usuários mudem. Para permitir que boa parte dessa estrutura possa ser reciclada ou reutilizada, um projeto que possa ser facilmente remodelado, o bom emprego dos materiais e a manutenção da edificação são bastante relevantes.

7. Canteiro sustentável

Uma obra sustentável não pode prescindir de um canteiro organizado, onde desperdícios, improvisações, acidentes e incômodos à vizinhança sejam reduzidos ao máximo. Para isso, um planejamento que minimize perdas e maximize a eficiência é fundamental.

Em especial na área de logística, quatro práticas se destacam:

  • Receber materiais paletizados – para evitar quebras e desperdícios;
  • Dar preferência a materiais e matérias-primas de fornecedores próximos à obra, reduzindo a quantidade de emissões de CO²;
  • Implantar sistemas para reuso de água pluvial no canteiro – ela pode ser usada para a lavagem de rodas de caminhões, por exemplo;
  • Ter um bom plano de gestão de resíduos que, preferencialmente, contemple o uso de resíduos da construção civil (RCD) no próprio canteiro.

Sobre o combate ao desperdício, leia o e-book gratuito Desperdício na Construção.

8. Sistemas construtivos industriais

É um contrassenso falar em sustentabilidade na construção e usar sistemas construtivos que induzem ao desperdício ou são intensivos consumidores de água e geradores de entulho.

Para você ter uma ideia, obras residenciais ou comerciais que utilizam processos construtivos convencionais (estrutura de concreto armado e alvenaria com blocos de concreto ou cerâmicos) geram entre 0,10 e 0,15 m³ de resíduos da construção civil (RCC) por metro quadrado de área construída. Isso é muita coisa!

Adotar práticas de execução industrializada pode agregar ganhos relacionados à sustentabilidade, como diminuição dos desperdícios, redução de emissões e do consumo de água. Em comparação a um canteiro de obras, um ambiente industrial tende a ter uma produção mais controlada, permitindo a racionalização no uso dos materiais e melhorando as condições de trabalho dos operários.

Se quiser saber mais sobre a importância da industrialização para a construção civil, não deixe de ler essa entrevista que realizamos com o engenheiro civil Jonas Medeiros.

5 exemplos práticos de aplicação da Construção Sustentável

1. Edifício administrativo da Natura – São Paulo, SP

O edifício administrativo da fabricante de cosméticos Natura foi projetado pelos arquitetos do escritório Dal Pian Arquitetos e construído com três objetivos principais: integrar-se ao ambiente externo, aproveitar ao máximo a luz natural, e incentivar a interação social.

Isso levou a uma arquitetura que privilegia vidros nas fachadas, vazios que integram e o paisagismo, inserido em cada um dos pavimentos em forma de jardins escalonados.

Inaugurado em 2016, o empreendimento erguido às margens da rodovia Anhanguera, é detentor do certificado LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) na categoria Gold. O selo foi concedido pelo Green Building Council Brasil após avaliação dos seguintes itens: terreno sustentável; uso racional de água, energia e atmosfera; qualidade do ambiente interno; materiais e recursos; inovação em projeto; e prioridades regionais.

Alguns números ajudam a entender o grau de sustentabilidade atingido nesse projeto:

  • Na construção, 14% dos materiais utilizados tiveram conteúdo reciclado;
  • 41,2% do material empregado na obra foram extraídos e manufaturados em um raio de até 800 quilômetros, diminuindo a demanda por transporte e favorecendo o consumo local;
  • 100% da madeira incorporada na construção foram extraídas de forma legalizada e sempre que possível com certificação FSC (Forestry Stewardship Council);
  • 97% dos resíduos recicláveis gerados durante a obra foram desviados de aterro e encaminhados para reaproveitamento.

Se quiser conhecer mais detalhes sobre o projeto, veja esse vídeo.

2. Edifício-sede da Rac Engenharia – Curitiba, PR

Inaugurado em 2017, o edifício-sede da Rac Engenharia obteve a certificação LEED Platinum com pontuação máxima na América Latina.

Entre os requisitos que possibilitaram tal resultado está o Net Zero Energia. Isso significa que o edifício é capaz de gerar a energia que consome, inclusive para funcionamento de ar-condicionado e de elevadores.

Você quer saber como isso foi feito? Com a instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura que permitem geração anual de 26.509 kW em condições climáticas normais da cidade.

O prédio utiliza soluções arquitetônicas comuns a outros edifícios sustentáveis, como brises nas fachadas e telhado verde.

Para racionalizar o uso de água, o prédio possui estação própria de tratamento de esgoto, que permite o reuso das águas cinzas e negras nos vasos sanitários, bem como da água da chuva. Outro fator que contribuiu para que o edifício obtivesse a nota máxima do selo de construções verdes foi a instalação de um ponto de recarga para carros elétricos.

3. Hospital Regional do Litoral Norte – Caraguatatuba, SP

Com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2019, o Hospital Regional Litoral Norte conquistou a certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental) nas fases pré-projeto e projeto. O empreendimento faz parte do Projeto de Fortalecimento da Gestão da Saúde do Estado de São Paulo, financiado pelo BID e pelo Governo do Estado.

Nesse caso, entre as soluções empregadas para garantir maior sustentabilidade, destacam-se:

  • Aquecimento de água por energia solar;
  • Utilização de água de reúso nas bacias e jardins;
  • Cobertura verde;
  • Construção de bicicletário;
  • Utilização de produtos sustentáveis, como piso de borracha ou marmoleum (fibra natural);
  • Uso de pisos drenantes nas áreas externas;
  • Iluminação com lâmpadas LED;
  • Brises para redução da incidência solar nas faces leste e oeste;
  • Estudo prévio sobre a implantação do hospital na malha urbana e no terreno, garantindo acessibilidade ao empreendimento e otimização da climatização.

O empreendimento no litoral paulista foi projetado pelos profissionais do Fernandes Arquitetos Associados em parceria com a MHA Engenharia e contou com consultoria em sustentabilidade pela Inovatech.

4. Edifício Jacarandá – São Paulo, SP

Localizado em uma região densamente ocupada, na Avenida Luiz Carlos Berrini, o Jacarandá foi o primeiro edifício comercial no Brasil a receber a certificação LEED Core and Shell Platinum v3.

Projetado pelo arquiteto Carlos Bratke, falecido em 2017, e com consultoria de sustentabilidade do CTE, o prédio oferece a seus usuários fácil acesso a vários tipos de transporte coletivo.

Outras soluções impactantes para o empreendimento somar pontos para obter a certificação verde foram:

  • Construção de bicicletário com vestiários e armários para os ciclistas;
  • 100% dos estacionamentos nos subsolos, diminuindo as áreas pavimentadas, promovendo a minimização das ilhas de calor;
  • Instalação de coberturas verdes;
  • Especificação de materiais com alto índice de refletância solar;
  • Construção de 1.925 m² de áreas verdes que promovem a biodiversidade local;
  • Plano de gerenciamento de águas pluviais;
  • Sistema para coleta e tratamento de água cinza e água proveniente do dreno do sistema de ar-condicionado para fins não potáveis;
  • Simulação computacional para avaliar a eficiência energética do edifício;
  • Estratégias de racionalização de energia em toda a sua operação;
  • 93% dos resíduos gerados na construção foram destinados à reciclagem e reaproveitamento;
  • Uso de materiais com conteúdo reciclado e de origem regional, bem como de adesivos, selantes, tintas e revestimentos com baixo valor de Compostos Orgânicos Voláteis (COV);
  • Layout que permite aos ocupantes ter visibilidade das paisagens externas em todos os ambientes;
  • Implantação de lajes ajardinadas e pavimentos permeáveis, permitindo reduzir o escoamento pluvial para o sistema público em mais de 25%.

5. Edifício Aqwa Corporate – Rio de Janeiro, RJ

Um dos edifícios mais icônicos da região do Porto Maravilha, o Aqwa Corporate também é um case de sustentabilidade. O complexo corporativo triple A da Tishman Speyer foi concebido pelo arquiteto britânico Norman Foster, com a colaboração do escritório brasileiro RAF Arquitetura, para receber o selo de sustentabilidade LEED na categoria Gold.

Para tanto, foram adotadas uma série de soluções que adicionaram eficiência no uso de recursos naturais. Destacam-se entre elas:

  • Sistema de ar-condicionado com chillers em série, que consome menos energia;
  • Sistema de reaproveitamento de água da chuva para irrigação dos jardins;
  • Elevadores equipados com sistema de antecipação de destino de chamadas para racionalizar o consumo de energia e reduzir o tempo de espera das pessoas;
  • Construção de praça térrea integrada a um parque linear com 400 m de extensão.
  • Prevalência de sistemas construtivos industrializados, como estrutura de aço.

A fachada de vidro do Aqwa foi estudada e simulada à exaustão a fim de obter a melhor condição de conforto térmico nos interiores, sem comprometer a estética arrojada. Para minimizar o efeito indesejado da radiação, a solução encontrada pelos especialistas envolveu a combinação de faces com inclinações exatas e diferentes tipos de vidros refletivos de alto desempenho fixados em caixilhos de alumínio.

Certificações ambientais

Há diversas certificações ambientais para empreendimentos imobiliários. Se antes a preocupação com a sustentabilidade era assunto pouco discutido, hoje em dia edifícios com selos verdes são cada vez mais almejados, seja por construtoras, seja por quem vai adquirir um imóvel.

Investir num empreendimento sustentável, num primeiro momento, pode ser mais caro que aqueles sem certificações. Porém, com o tempo, o retorno sobre o investimento é garantido, o que faz valer muito mais a pena!

Certificação LEED

O selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) foi criado pela US Green Building Council (USGBC). A certificação comprova que o edifício foi projetado e executado de maneira sustentável.

O LEED possui 4 níveis:

  • Certified
  • Silver
  • Gold
  • Platinum

E existem 8 tipos de certificação:

  • Novas construções e grandes reformas
  • Edifícios existentes – operação e manutenção
  • Interiores comerciais
  • Envoltória e estrutura principal
  • Lojas de varejo
  • Escolas
  • Desenvolvimento de bairros
  • Hospitais

Para conseguir o selo LEED, é preciso inscrever a construção numa dessas tipologias, registrar-se no site do LEED e enviar todos os documentos exigidos.

Depois disso, uma empresa auditora avaliará a documentação e, assim, é possível conseguir o certificado.

Conheça o 1º edifício de SC a receber o selo LEED!

Certificação Aqua

A Certificação Aqua iniciou-se em 2008 no Brasil e é derivada da francesa Démarche Haute Qualité Environnementale (HQE).

Ela é separada em 14 categorias, por 3 perfis:

  1. Base (B): prática corrente ou regulamentar
  2. Boas Práticas (BP): desempenhos de boas práticas
  3. Melhores Práticas (MP): desempenho máximo nas operações de qualidade ambiental

Recebe a Certificação Aqua, o imóvel que obtiver, no mínimo:

  • 3 categorias no nível Melhores Práticas
  • 4 categorias no nível Boas Práticas
  • 7 categorias no nível Base

Selo Casa Azul

O selo Casa Azul é uma certificação concedida aos projetos financiado pela Caixa Econômica Federal. Foi o primeiro selo do gênero criado no Brasil.

A Caixa adota 53 critérios de avaliação, divididos em 6 categorias:

  1. Qualidade urbana
  2. Projeto e conforto
  3. Eficiência energética
  4. Conservação de recursos materiais
  5. Gestão da água
  6. Práticas sociais

O selo também possui 3 níveis:

  • Bronze
  • Prata
  • Ouro

Para recebê-lo, o empreendimento deve atender a 19 critérios obrigatórios.

Selo Procel Edificações

O objetivo do selo, que existe desde 2014, é identificar as edificações que contenham as melhores classificações de eficiência energética em uma das seguintes categorias:

  • Envoltória
  • Iluminação
  • Condicionamento de ar
  • Aquecimento de água

Para conquistá-lo, é preciso antes obter a Etiqueta PBE Edifica – Classe A, Programa Brasileiro de Edificações.

O selo é emitido pela Eletrobras.

Inovação Sustentável na Construção

Você já sabe que o desenvolvimento tecnológico pode promover uma verdadeira revolução na indústria da construção. Afinal, ele induz à maior produtividade nos canteiros e à racionalização de recursos materiais.

Inovações também podem contribuir para que a construção se torne mais sustentável. O que é mais do que necessário, lembrando que estamos falando de um setor intensivo no consumo de recursos naturais e energia.

Mas como utilizar as novas tecnologias para produzir de modo mais ambientalmente correto?

A resposta vai muito além da mera substituição de materiais de construção convencionais por equivalentes ecológicos.

A construção torna-se mais sustentável quando deixa de lado de um modo tradicional e artesanal de produção para utilizar métodos que:

  • Otimizem o uso de recursos;
  • Diminuem o desperdício;
  • São baseados em projetos mais precisos, reduzindo retrabalhos;
  • Demandem menos deslocamentos, poupando emissões de CO2;
  • Empreguem melhores processos de construção, que gerem edifícios mais duráveis, eficientes e que exigem menos manutenção;
  • Garantam segurança aos trabalhadores.

Digitalização de processos = menos papel + eficiência – desperdício

Você está cansado de saber que produzir de modo mais inteligente é imperativo para a indústria da construção dar um salto de produtividade. Não à toa, tendências de TI que se firmam cada vez mais são as que justamente buscam atacar esse problema. É o caso da digitalização de rotinas, da computação na nuvem e da integração de processos.

Também é nessa linha que vêm trabalhando muitas das construtechs, as startups da construção, atuantes no mercado. Para saber mais sobre elas, leia o Mapa de Construtechs e Proptechs realizado pelo Construtech Ventures.

Entre as diversas novas soluções oferecidas, podemos destacar:

  • Softwares de gestão de obras focado em integração;
  • Aplicativos para redução de desperdício;
  • Plataformas para cotação de preços de materiais de construção;
  • Marketplaces de vendas.

Tudo isso, quando bem utilizado, cria um potencial gigante de racionalização de recursos, seja no canteiro de obras, seja nos escritórios.

Inovação sustentável = mais assertividade em projetos

A indústria da construção representa 13% do PIB (Produto Interno Bruto) global, e emprega 8% da força de trabalho no mundo. No entanto, é marcada pela alta taxa de desperdício de materiais e pelos baixos índices de produtividade de sua mão de obra.

Nesse contexto, parece crucial a melhoria na gestão das empresas, a utilização de processos construtivos industrializados e a elevação da padronização de produto.

Tecnologia BIM

Para uma indústria que precisa produzir com mais precisão, eliminando de vez o improviso, uma inovação se destaca: o BIM (Building Information Modeling), em português, Modelagem da Informação da Construção.

Você já deve ter ouvido falar muito sobre essa plataforma. Ainda assim, vamos destacar 5 benefícios para você entender como o BIM pode ajudar em termos de construções mais sustentáveis:

  • A visualização 3D do projeto facilita a análise de conforto térmico, acústico e luminotécnico de um projeto;
  • O BIM expande a análise para além da gráfica, contemplando diversos fatores, como localização geográfica, incidência de luz solar, temperatura, propriedade dos materiais usados, etc;
  • A modelagem 3D induz a menos mudanças de projeto e do planejamento. Isso implica em menos retrabalhos e desperdícios;
  • O desperdício também diminui em função da extração automática de quantidades de serviços e componentes utilizados na obra;
  • O BIM possibilita que dados como o custo do uso da edificação e gastos com água e energia sejam controlados por meio de um modelo.

Em suma, com o BIM se tem projetos mais eficientes, duráveis e sustentáveis. Se quiser aprofundar seus conhecimentos sobre essa plataforma, não deixe de acessar o Guia Completo sobre a Tecnologia BIM.

Mais qualidade e controle com a Internet das Coisas

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT) também vem transformando a forma de se construir edifícios. De acordo com dados divulgados pela consultoria Frost & Sullivan, o mercado de IoT deve alcançar receitas de US$ 3,29 bilhões em 2021, cerca de R$ 10 bilhões.

Um dos principais ganhos esperados com a introdução dessa tecnologia é a melhoria da qualidade e do monitoramento da vida útil das construções, reduzindo, por exemplo, custos com manutenção. Isso tem tudo a ver com sustentabilidade, não é mesmo?

Veja alguns exemplos:

  • A inserção de sensores de temperatura antes da concretagem pode fornecer ao construtor um controle muito mais rigoroso do tempo de cura. Esse artigo (em inglês) explica bem como isso funciona.
  • Mais além, sensores introduzidos permanentemente em peças de concreto podem detectar eventual necessidade de manutenção antes de um problema maior acontecer.
  • Caminhões e cargas conectados à internet permitem que os gestores monitorem em tempo real as suas cargas e planejem a obra corretamente. A IoT também pode diminuir os atrasos nas entregas causados por falhas nos veículos.
  • Coletores de dados RFID e os leitores de código de barras simplificam a gestão de estoque das construtoras.
  • A IoT leva a um novo patamar a gestão e a automação de edifícios, controlando o gasto de energia e de água, por exemplo.
  • A IoT já vem sendo utilizada em algumas cidades para dar mais eficiência ao sistema de irrigação de parques e jardins públicos. Em Barcelona, todo o sistema de irrigação pode ser controlado por tablets, reduzindo o desperdício de água.

Gestão de resíduos mais inteligente

Muitas das inovações nessa área são baseadas em tecnologias como big data analytics e cloud computing (computação na nuvem).

Um caminho para quem quer desenvolver inovação sustentável na construção é buscar o apoio de construtechs.

Entre as que trabalham com gestão de resíduos destacamos a B2Blue, ferramenta online desenvolvida para conectar milhares de indústrias e empresas que enxergam resíduos como matérias-primas.

Quem também faz um trabalho interessante é a Net Resíduos, que disponibiliza uma solução online para o gerenciamento e total controle dos dados de geração, transporte e destinação de resíduos.

Robótica e realidade virtual a serviço dos trabalhadores

Quando se fala em sustentabilidade, muitas vezes se limita a discussão à preservação dos recursos naturais do planeta. Mas a segurança no trabalho também é uma das vertentes importantes em projetos que almejam ser sustentáveis.

Nesse ponto, a inovação tecnológica também tem muito a contribuir. Quer saber como?

A realidade virtual, por exemplo, pode auxiliar os trabalhadores em treinamentos, ao simular condições mais próximas da realidade.

A robótica é outra aliada. Robôs utilizados em demolições podem ajudar a preservar vidas humanas.

A tecnologia pode ajudar a desenvolver gadgets que facilitem o trabalho nos canteiros. A japonesa Obayashi Corporation investiu em um exoesqueleto para reduzir o esforço dos trabalhadores na movimentação manual de cargas. Com o dispositivo robótico posicionado na cintura, um operário pode erguer um objeto de 20 kg com apenas 12 kg de força aplicada pelo próprio corpo.

Percebeu como a tecnologia e a sustentabilidade estão ligadas? Os exemplos que mostramos podem auxiliar a construção a produzir melhor, com menos recursos e gerando menos impacto no ambiente.