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Ao longo deste post você vai ter a oportunidade de saber mais sobre a engenheira Enedina Alves Marques.

Mas será que você sabe de quem eu estou falando?

Enedina Alves Marques foi, nada mais, nada menos que a primeira mulher negra a se formar engenheira civil em todo o Brasil. Ela foi também a primeira engenheira da região Sul do País.

Então, se você curte de aprender sobre a história da engenharia no Brasil, precisa saber mais sobre essa profissional que entrou para a história não só da engenharia civil brasileira, mas também do próprio País.

Portanto, continue conosco para conhecer mais sobre a engenheira Enedina Alves Marques!

Quem foi Enedina Alves Marques?

Enedina nasceu em janeiro de 1913, na cidade de Curitiba, no Paraná. Ela veio a falecer aos 68 anos de idade, em 1981, também na capital do Estado do Paraná.

Em 1945, Enedina Alves Marques graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Assim, ela começava a entrar para a história do Brasil como a primeira mulher negra a se formar em engenharia no País.

Enedina Alves Marques

O feito era tão especial que Enedina Alves Marques foi a única mulher a se formar na turma de engenharia de 1945 da UFPR. Ao lado dela, se formaram 32 colegas homens.

Até então, em todo o território nacional, somente quatro mulheres já tinham se graduado em engenharia. E todas elas pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O início como professora

A história de Enedina Alves Marques se torna ainda mais interessante quando sabemos de suas origens. Afinal, sua mãe trabalhava como empregada doméstica na casa da família do major e delegado Domingos Nascimento Sobrinho.

A filha de Domingos, Isabel, tinha a mesma idade de Enedina. Por isso, o delegado, que também era intelectual, matriculou a filha da empregada nas mesmas escolas que sua filha.

Ainda que tivesse esse apoio, conquistar o diploma de engenheira civil não foi algo simples para a jovem Enedina Alves Marques, que também trabalhava como babá.

Assim que concluiu a escola normal secundária, como era chamado o Ensino Médio na época, Enedina Alves Marques passou a lecionar em cidades do interior do Estado do Paraná. Esses fatos se passaram entre os anos de 1932 e 1935.

Enedina Alves Marques (à esquerda) entre outras professoras, em Rio Negro (PR)

Assim, como professora, Enedina Alves Marques trabalhou em diversos grupos escolares do Estado, sem nunca deixar de sonhar com o ingresso na universidade.

Carreira em órgãos públicos

Em 1940, finalmente, Enedina Alves Marques ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná.

Assim, 5 anos depois, em 1945, ela sairia de lá com o diploma de engenheira civil. Antes dela, apenas dois negros haviam se formado engenheiros na mesma Instituição de Ensino.

Vale lembrar que o espaço acadêmico da FEP na década de 1940 era hegemonicamente masculino e elitizado. Tal situação era ainda mais evidenciada nos cursos de engenharia.

Não por acaso, portanto, pesquisadores contam que, ao longo desse período, Enedina Alves Marques teve de lidar com muito preconceito. E este preconceito vinha inclusive da parte de muitos professores e também de colegas de curso.

Um ano depois de formada, em 1946, Enedina Alves Marques atuou como auxiliar de engenharia na Secretaria de Viação e Obras Públicas, também no Estado do Paraná.

Depois, Enedina Alves Marques foi chefe de hidráulica, chefe da divisão de estatísticas e do serviço de engenharia do Paraná, na Secretaria de Educação e Cultura do Estado.

O auge da carreira de Enedina Alves Marques

Em 1947, Enedina Alves Marques deu início ao seu trabalho em um novo local. Dessa vez, o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná.

Esse período, de acordo com alguns pesquisadores, foi o auge da sua carreira. Afinal, ela atuou no levantamento topográfico e na construção da Usina Capivari-Cachoeira (Usina Parigot de Souza), por exemplo, dentre muitos outros projetos relevantes.

Da mesma maneira, ela também colaborou na construção de pontes e no levantamento de rios. Assim, atuou melhorando o aproveitamento hídrico das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.

Além disso, Enedina Alves Marques trabalhou no Plano Hidrelétrico do Paraná.

Enedina Alves Marques

Competente e comprometida com o trabalho, Enedina chefiou muitos outros técnicos e engenheiros ao longo de sua bem sucedida carreira na área de engenharia.

Vida pessoal

Entre as décadas de 1950 e 1960, já com a carreira bem organizada, a engenheira Enedina Alves Marques decidiu viajar com o objetivo de conhecer outras culturas. Em 1958, o major Domingos Nascimento faleceu. Enedina foi incluída como beneficiária no seu testamento.

O reconhecimento profissional ficou mais evidente a partir de 1961. Foi quando o sociólogo Octávio Ianni entrevistou Enedina Alves Marques como parte de sua pesquisa que se transformou no livro “Metamorfoses do escravo”.

Enedina Alves Marques

No ano seguinte, em 1961, Enedina Alves Marques se aposentou pelo Estado do Paraná, que estava sob o segundo mandato do Governador Moisés Lupion.

Assim, alguns anos depois , ela recebeu o reconhecimento do então Governador do Estado do Paraná Ney Braga. Ele, então, reconheceu os trabalhos da engenheira e, com isso, lhe garantiu renda igual ao salário de um juiz à época.

Solteira e sem filhos, Enedina Alves Marques morreu aos 68 anos, vítima de um infarto.

Enedina Alves Marques

Reconhecimentos

Hoje, Enedina Alves Marques tem seu nome no Livro do Mérito do Sistema Confea/Crea.

Além disso, no ano de 1988, uma rua de sua cidade natal,  no bairro Cajuru, a 7 km do centro de Curitiba, também veio a receber o seu nome.

Mais tarde, no ano de 2000, a engenheira foi reconhecida pelo Memorial à Mulher. Assim, passou a figurar junto a outras 53 mulheres pioneiras do Brasil em diversas áreas do conhecimento.

Por fim, em 2006, foi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá, no interior do Estado do Paraná.

Conclusões sobre a vida e a carreira de Enedina Alves Marques

E então, o que você achou deste post sobre Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil? Certamente, Enedina abriu as portas para uma maior participação da mulher no mercado de trabalho, em especial na engenharia.

Se você tem interesse de saber mais sobre essa empolgante profissão, confira o especial que preparamos sobre a engenharia civil em “Tudo sobre a engenharia civil

Aliás, se tem interesse em conhecer ainda mais sobre a história da engenharia civil no Brasil, você não pode deixar de ler o artigo que publicamos sobre o notável engenheiro Milton Vargas.

Espero que goste das minhas sugestões!

Até a próxima!