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Você já deve ter reparado que muitas empresas vêm investindo em programas de inovação tecnológica na construção.

Eu me refiro a dois tipos de inovação. Ou seja, àquelas iniciativas que visam o desenvolvimento de melhorias e transformações internas. Mas também às que procuram selecionar startups para incorporar a disruptura inerente a elas.

Você pode achar que essas ações são meras estratégias de marketing. Ou seja, que buscam associar o nome das empresas à inovação tecnológica na construção. Afinal, isso é algo muito valorizado atualmente para empresas e profissionais de engenharia civil.

É verdade que uma avaliação positiva das partes interessadas é um dos benefícios notados pelas empresas que desenvolvem programas de inovação tecnológica na construção. Mas certamente essa não é a principal razão que induz as companhias a dedicarem esforços humanos e financeiros em prol da inovação.

Quer saber mais sobre isso? Continue conosco:

Por que inovar?

A inovação nas empresas da construção geralmente se dedicam a:

  • Melhorar o comportamento em uso da edificação para o usuário pela ótica de requisitos de desempenho;
  • Incrementar o processo produtivo;
  • Melhorar processos internos. Em geral, essas inovações provém da implantação de softwares e de novos arranjos de trabalho;
  • Melhorar a promoção do produto e sua colocação no mercado. São as inovações de marketing.

Afina, a construção é um setor propício a diferentes tipos de inovação. Além de, em muitos casos, reduzir custos, a inovação na construção civil pode ajudar seu negócio de diversas maneiras.

Tipos de inovação tecnológica na construção

Os programas corporativos de inovação tecnológica na construção podem ser voltados ao desenvolvimento de processos inovadores internos. Nesse caso, a empresa pode controlar todo o processo de inovação. Em contrapartida, precisa despender mais recursos em pesquisa e desenvolvimento.

Um exemplo de como isso é possível vem da Rôgga Empreendimentos Imobiliários, de Santa Catarina. A empresa tem um case interessante de inovação associada à sustentabilidade. É o que conta o gerente de inovação da empresa, Gerson Castanho.

As empresas podem, também, investir em startups, via programas de inovação aberta. Tal modelo é conhecido como corporate venture. Nele, a empresa busca parceiros, tecnologias e recursos no ambiente externo para criar sinergia com seus projetos de inovação. Com isso, ganha-se cada vez mais velocidade e diminui-se o custo de desenvolvimento.

Tendências no setor

Na construção civil, é crescente o interesse pela inovação aberta promovida por programas de aceleração de construtechs e proptechs.

Um indicador disso é a ampla lista de programas recém-lançados com oportunidades interessantes para empresas em diferentes estágios de maturação. Se quiser saber mais sobre essas iniciativas, não deixe de ler esse guia completo preparado pelo Buildin.

Esse tipo de programa é feito em parceria com consultorias especializadas em conectar empresas a startups. Eles costumam ser compostos por processo de seleção e oferta de monitoria. As empresas disponibilizam a estrutura e também sua rede de contatos. Em alguns casos, há aporte financeiro.

De acordo com levantamento da Construtech Ventures realizado por meio da base de dados do Crunchbase, mais de US$ 8,3 bilhões foram investidos em construtechs de todo o mundo somente em 2018.

Como criar um programa de inovação tecnológica na construção?

Seja qual for o modelo de inovação tecnológica na construção escolhido, o primeiro passo para se ter sucesso é garantir que isso seja algo estratégico para a organização. Ou seja, que auxilie a empresa a alcançar melhores níveis de desempenho, por exemplo.

Além disso, é fundamental que essa decisão estratégica seja bem comunicada para toda a organização.

Também é imprescindível a criação de um comitê de inovação responsável pela aprovação de ideias mais complexas.

Além disso, é preciso identificar as reais necessidades da empresa. A inovação pode, por exemplo, ser uma política permanente da empresa. Ou, então, ser apenas uma ação para atender a uma demanda específica.

Inovação rápida e incremental

Para as empresas da construção civil, Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo e inovação do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan, dá uma dica importante nessa entrevista ao Buildin:

“As empresas têm dificuldade em inovar, porque buscam por inovações disruptivas. Só que isso envolve muito mais risco. É melhor começar por inovações mais simples e incrementais”, afirma.

Isso significa pensar em soluções que tragam retorno rapidamente. Ou seja, capazes de proporcionar redução de custo e aumento de produtividade num primeiro momento. Dessa maneira, fica mais fácil mostrar à empresa que isso traz retorno. A tecnologia pode, por exemplo reduzir o tempo de construção ou o desperdício de materiais nos canteiro de obras.

Para Nakagawa, a aproximação com startups é uma alternativa interessante. Primeiro, porque facilita o acesso a inovações. Segundo, porque permite desenvolver uma cultura empreendedora inspirada nessas novas iniciativas.

Obstáculos à implantação de programas de inovação

Teoricamente, é óbvia a importância da inovação. No entanto, a prática pode ser mais complexa. Afinal, trabalhar sob novos conceitos e métodos ainda é desafiador para algumas empresas do setor de construção.

Até mesmo inovações relativamente antigas, como contrapiso autonivelante, por exemplo, ainda sofrem resistência em alguns canteiros de obra.

Vou listar para você cinco desafios à formatação de um programa de inovação tecnológica na construção:

  1. A seleção das startups que participarão do programa deve ser criteriosa e levar em conta o seu  estágio de desenvolvimento. O ideal é que ele seja compatível com as propostas no programa. Ou seja, se uma startup oferece dispositivos que monitoram a temperatura corporal, por exemplo, é preciso ponderar se isso faz sentido para sua obra.
  2. A propriedade intelectual deve ser cuidadosamente trabalhada. O potencial para a disputa sobre direitos intelectuais pode obstruir o desenvolvimento de inovações apresentadas por fontes externas.
  3. Um erro grave é achar que somente se aproximar de uma startup basta para a inovação acontecer. A corporação deve assimilar a cultura de inovação da startup. Mas muitas vezes, acontece o contrário e a startup acaba absorvendo a cultura da empresa. Uma empresa que faz impressão 3D de concreto, por exemplo, exige uma nova abordagem para o desenvolvimento de estruturas.
  4. O programa de inovação aberta deve contar com o respaldo de uma forte estrutura interna. Isso é imprescindível para a tomada de decisões rápidas.
  5. Por fim, é mais do que urgente derrubar as barreiras culturais. Para o consultor Luiz Henrique Ceotto, um problema é que as empresas da construção civil não conversam.“A cadeia de fornecedores precisa se falar, porque um tem que agregar valor para o outro. No Brasil, a interação entre o fornecedor e o cliente é uma relação de perde ganha. Só se discute preço e forma de pagamento”, alerta.

Conclusão

Nesse artigo, tentamos pontuar brevemente alguns aspectos que não podem ser deixados de lado quando se pensa em criar um programa de inovação na indústria da construção.

Vimos que a inovação tecnológica na construção pode ser benéfica ao meio ambiente. Mais do que isso, que há a possibilidade de investir em modelagem da informação da construção, o BIM.

Antes de encerrar, gostaria de te lembrar que as inscrições para o Construsummit 2018 estão abertas. O evento, que acontece em novembro, em São Paulo, é uma oportunidade única de estar em contato com construtechs!

Além disso, vai conhecer os cases de sucesso em inovação e compreender como a inovação está sendo desenvolvida no mercado nacional e internacional.

Afinal, o Construsummit 2018 contará com palestrantes da Ásia, Europa e Estados Unidos.

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