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Conforme vimos no post anterior dessa série que trata de construção enxuta, é um dos enfoques do lean construction priorizar as atividades que agregam valor à obra.

Por essa razão, cabe ao engenheiro eliminar as operações desnecessárias. Ou seja, aquelas que geram desperdício e, consequentemente, prejudicam a produtividade na construção.

Afinal, o desperdício de materiais acarreta em consequências diversas. Dentre elas, a necessidade de investir mais em gestão de resíduos de construção.

Principais tipos de desperdício na construção

Vamos relembrar os 9 principais tipos de desperdício na construção civil conforme os princípios da lean construction.

Eles são:

  1. Espera
  2. Movimentação
  3. Processos desnecessários
  4. Área inutilizada
  5. Transporte
  6. Estoque
  7. Produção excessiva
  8. Defeito
  9. Atraso
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Estes são os 9 principais tipos de desperdícios na construção considerados pela filosofia lean construction

Já analisamos anteriormente os três primeiro itens dessa lista:

  1. Espera
  2. Movimentação
  3. Processos desnecessários

Portanto, neste post vamos analisar mais três tipos de desperdício na construção combatidos pela lean construction:

  1. Área inutilizada
  2. Transporte
  3. Estoque

Área inutilizada

Por área inutilizada define-se qualquer espaço dedicado a atividades de fluxo de trabalho que correm em paralelo à produção. No entanto, que não necessariamente estão diretamente relacionadas ao processo construtivo.

A existência dessas áreas ociosas, de acordo com os preceitos do lean thinking (pensamento enxuto), pode agregar desperdício dos seguintes elementos:

  1. Vigilância: em grandes obras, um canteiro de obras muito extenso, cheio de vazios, pode levar a um custo desnecessário de vigilância;
  2. Supervisão: uma área maior do que a estritamente necessária pode gerar descontrole de materiais, má distribuição do efetivo e da mão de obra;
  3. Locação: às vezes uma construtora precisa alugar um terreno vizinho para almoxarifado, depósito ou barracões. Será que é realmente necessário manter esse terreno alugado por todo o tempo da obra?

Como podemos ver, um bom estudo de espaços pode proporcionar melhoria contínua no sistema de produção e, assim, ajudar a reduzir gastos inúteis.

Transporte

A movimentação excessiva ou desnecessária de estoques intermediários se configura um desperdício evidente.

Mas não é só isso!

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Numa obra há muitos meios de transporte erroneamente utilizados, como, por exemplo, um carrinho de mão transportando blocos cerâmicos. Um dia desses vi um carrinho de mão abarrotado de concreto fresco!

Isso sem dúvida acarreta em perdas de materiais e pode estar até mesmo relacionado a danos ao meio ambiente. Assim, adotar o lean construction é considerar todos esses detalhes no planejamento da obra.

Uma análise dos transportes externos e internos da obra pode ajudar a reduzir desperdícios. Alguns exemplos:

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  1. Entrega de materiais no canteiro de obras: você já viu caminhões trazendo mercadoria, mas sem entrar na obra? A construtora precisa alocar vários ajudantes só para fazer o transporte entre o caminhão e o almoxarifado ou o local de estocagem do produto. Será que, se o caminhão de fornecimento fosse menor, a entrega e a descarga não seria mais prática? A produtividade é impactada também por esses processos anteriores à produção.
  2. Obra linear: imagine uma estrada ou ferrovia. É comum que a construtora receba entregas num ponto central para futura distribuição interna. Um estudo de logística de canteiro pode apontar para a viabilidade de o fornecedor entregar o produto em pontos espalhados ao longo da obra, reduzindo os custos de transporte.

Estoque

Muito gestor de construtora sente orgulho de exibir um almoxarifado repleto de mercadoria: sacos, latas, rolos e pilhas de produtos estocados até o teto.

Mas isso é motivo de orgulho?

Depende. Se a aplicação se der nos dias seguintes, sim. Mas se os produtos só forem utilizados meses depois, o estoque representa uma compra feita com muita antecipação. Ou seja, isso representa dinheiro gasto antes da hora.

Alguns pontos de reflexão:

  1. Excesso de material “parado” significa dinheiro imobilizado, além de gastos desnecessários com estocagem (estoque tem custo);
  2. Entregas muito antecipadas ou atrasadas são indício de que o cronograma de suprimento da construtora está furado (se é que ele existe…);
  3. As técnicas de gestão da produção – baseadas inclusive no tempo de ciclo – objetivam minimizar o estoque. O ideal é que o produto seja entregue na obra o mais perto possível da aplicação. Just in time quer dizer exatamente isso: bem na hora!

Conclusões sobre desperdícios na construção na visão da lean construction

Os pontos que abordamos neste texto acontecem na sua obra?

Como estão seus processos relacionados a uso de áreas, estoque e transporte? Quais são os pontos de melhoria para melhorar a produtividade na construção?

É importante ter claro que ignorar esses aspectos são erros muito comuns no planejamento de obras e que precisam ser evitados!

Comente aqui embaixo sobre como essas dicas são importantes ao fazer o planejamento baseado na lean construction.

E não perca o terceiro e último post desta série especial sobre desperdícios na visão da lean construction.

Não deixe de conferir o texto anterior que deu origem à série, sobre Princípios da Lean Construction, e o primeiro texto da série.

Se tiver mais um tempinho, confira também a lista de 7 livros que o engenheiro de custos e planejamento não pode deixar de ler.