5 setembro 2017

Especialistas

Equalização de propostas em orçamentos de obras

Original de Buildin
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Ao final deste post há um desafio interessante.
Quero saber o que VOCÊ pensa.

Fornecedores de um mesmo produto ou prestadores de um mesmo serviço nem sempre apresentam suas cotações de preço tendo por referencial o mesmo escopo. Por essa razão, é preciso fazer a equalização de propostas, ou seja, colocá-las numa mesma base para que seja possível compará-las e selecionar a que melhor convém ao construtor.

Pensemos no serviço cravação de estacas. Existem empresas especializadas que dão preço por metro de estaca cravada, empresas que cobram uma verba de mobilização mais o preço por metro de estaca cravada, assim como empresas que cobram separadamente as remobilizações dentro da obra. Como então comparar as cotações de três empresas, cada uma com um critério distinto? Somente fazendo a equalização de propostas.

É comum empresas fornecedoras não incluírem informações importantes nos orçamentos. Para evitar isso, nossa dica é ter um checklist a ser aplicado a cada proposta recebida. Prazo e local de entrega são informações que, às vezes, estão omissos na proposta e podem causar transtornos futuros, é bom lembrar.

O objetivo da equalização é, portanto, completar propostas incompletas para compará-las com as que envolvem um escopo mais amplo. Em outras palavras, o trabalho de equalização de propostas engloba, entre outras coisas, os seguintes aspectos:

Equalização Adicionar frete – necessário quando um fornecedor cotou o material entregue no canteiro (CIF), enquanto outro o cotou sem entrega (FOB). É também necessário verificar se o CIF do vendedor inclui a descarga do caminhão no canteiro de obra
Completar escopo – necessário quando uma proposta vai mais além do que outra em termos de abrangência. É o caso de uma construtora que recebe duas cotações de contêineres para escritório de obra: uma com o ar-condicionado instalado e outra não. Outro exemplo é transporte para bota-fora com e sem a taxa do aterro onde a terra será jogada
Compatibilizar moedas – necessário em obras complexas, em que haja insumos importados, pode haver cotações em reais e em dólares, por exemplo. Comparar isso requer cuidados para as condições comerciais descritas em cada proposta
Adequar quantitativos – necessário em obras onde o levantamento de quantidades fica a cargo do provedor do serviço (fornecedor). É o caso de volume de escavação de 1a e 2a categorias cubados pelo subempreiteiro a partir de projetos

Vejamos um exemplo prático. Uma construtora quer comprar esquadria de madeira para um conjunto de casas. O projeto arquitetônico prevê que as esquadrias serão pintadas. O orçamentista da construtora recebeu proposta de três fornecedores em potencial. Qual a melhor proposta?

Tabela de equalizacao de propostas

Como não dá para comparar os três escopos, é preciso homogeneizar as ofertas:

  • A proposta do Fornecedor 1 é a mais completas das três e, por isso, será nosso paradigma. Note que ela contém o fornecimento na obra (CIF) e a esquadria já vem pintada;
  • A proposta do Fornecedor 2 está incompleta porque contempla um escopo mais restrito: a esquadria não vem pintada. Nesse caso, para que ela seja comparável à do Fornecedor 1, o orçamentista tem que cotar a pintura separadamente;
  • A proposta do Fornecedor 3 também está incompleta porque, além de a esquadria não ser entregue pintada, o material estará disponível em algum local que não é a obra (preço FOB). Dessa forma, o orçamentista tem que cotar o frete (e seguro) separadamente.

O resultado da equalização mostra que o preço mais vantajoso é o do Fornecedor 2.

Tabela vantagem na equalizacao de propostas

 

Note que a contratação do Fornecedor 2 será feita pelos R$18.000 que ele propôs. As despesas com pintura e frete serão pagas pelo construtor aos respectivos provedores.

Esses dias fui a uma incorporadora que faz vários empreendimentos simultaneamente e onde há um setor dedicado apenas para fazer a equalização de propostas das construtoras a quem eles pedem orçamento para a construção. A engenheira com quem conversei me mostrou um “mapa de concorrência” onde ela comparava as propostas. Como o projeto fornecido pela incorporadora era ainda um projeto básico (praticamente um anteprojeto), as propostas recebidas vieram assim:

  • Construtora A – incluiu a fundação do prédio no preço (admitindo uma solução de tubulão com um determinado volume total). Admitiu um paisagismo simples. Preço: R$20 milhões;
  • Construtora B – declarou que não tinha informação suficiente para orçar as fundações e o paisagismo e os deixou fora da proposta. Preço: R$16 milhões;
  • Construtora C – assumiu fundação em estaca metálica e deu um preço fechado para o prédio e um preço unitário para a fundação. Orçou um paisagismo complexo, similar ao de outra obra da incorporadora. Preço: R$19 milhões + R$500/m de fundação.

Pergunto: como VOCÊ equalizaria estas propostas e como preferiria contratar a construção?

 

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Autor
Aldo Dórea Mattos

Uma das maiores autoridades brasileiras em Planejamento, Orçamento e Controle de Obras é um especialista Buildin. Neste espaço ele compartilha sua experiência como engenheiro e advogado ao abordar temas como engenharias de custos, planejamento, estimativas, cronograma, validação de custos, gestão de contratos, arbitragem, gerenciamento de risco, litígios e muito mais!

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