18 setembro 2018

Colaboradores

O que é industrialização na construção e por que investir nisso?

Original de Buildin
Industrialização na construção
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Você sabe que a construção civil brasileira sofre com um problema crônico de produtividade. Construir mais em menor tempo, com custos previsíveis, sem comprometer a qualidade e a sustentabilidade ainda é um desafio gigante.

Para superar essa dificuldade, nos últimos anos, algumas práticas positivas foram adotadas. Entre elas, podemos citar a racionalização de processos e a mecanização das atividades no canteiro.

Só que transformar definitivamente uma realidade marcada por desperdícios, retrabalhos e falta de controles só é possível com a industrialização. Esse é o caminho a ser trilhado se quisermos atingir patamares de produtividade equiparáveis aos países mais desenvolvidos.

Saiba mais a seguir:

O que é uma construção industrializada?

A construção industrializada se dedica a transformar o canteiro de obras em uma linha de montagem, semelhante ao que ocorre em outras indústrias como a automobilística.

Para isso, baseia-se na aplicação sistemas pré-fabricados, que chegam ao canteiro prontos para serem montados.

Entre as vantagens dessa forma de produzir, podemos citar:

  • Otimização do tempo e redução do prazo de execução;
  • Ganho de qualidade, consequente de controles mais rigorosos na produção;
  • Uso de matérias-primas selecionadas;
  • Sustentabilidade, decorrente da diminuição do desperdício e da sujeira na obra;
  • Menor demanda por mão de obra;
  • Maior controle sobre os custos e sobre a execução;
  • Menos ajustes e improvisos;
  • Maior precisão geométrica;
  • Maior potencial de desmontagem uma vez terminado o ciclo de vida da edificação.

Como pensar em industrialização ainda na fase de projeto?

A industrialização na construção exige que os projetos sejam mais detalhados do que os usados em construções convencionais. Um fator importante visando a competitividade financeira dessa solução é tirar partido da padronização, da modularidade e da quantidade de repetições.

Atenção especial deve ser dada à fase de detalhamento da geometria das peças que irão ser produzidas na fábrica. Como várias das peças de uma estrutura têm um certo número de repetições, algum erro detectado apenas na fase de montagem pode implicar em perdas consideráveis.

Outro forte impacto do processo de industrialização nas obras acontece na logística do canteiro. A planta de produção deve ser pensada como uma linha de montagem, racionalizando-se distâncias de transporte dentro da obra, locais de armazenamento, etc.

Pré-moldado ou pré-fabricado?

Uma obra pode apresentar diferentes níveis de industrialização em função da concepção do projeto e a execução. Mas via de regra, uma obra é considerada industrializada quando utiliza sistema estrutural e vedações (internas e externas) constituídos por sistemas construtivos produzidos na fábrica.

Uma confusão que muitas vezes se faz é entre os elementos pré-fabricados e os pré-moldados, geralmente tratados como sinônimos.

A ABNT NBR 9.062/2006 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-moldado faz uma importante distinção entre esses dois conceitos. De acordo com essa norma:

  • Elemento pré-moldado – É todo aquele moldado previamente e fora do local de utilização definitiva na estrutura, executado conforme procedimentos de qualidade prescritos na ABNT NBR 14.931/2004 – Execução de estruturas de concreto – Procedimento, e na ABNT NBR 12.655/2015 –Concreto de cimento portland – Preparo, controle, recebimento e aceitação – Procedimento.
  • Já os elementos pré-fabricados, embora também sejam moldados previamente fora do destino final de uso, são executados industrialmente, em instalações permanentes de uma empresa destinada para este fim, com os devidos controles operacionais.

Construção seca

Atualmente, a indústria da construção oferece uma série de soluções industrializadas que podem substituir os processos artesanais, agregando agilidade, qualidade e economia. Confira a seguir alguns deles:

  • Drywall – Sistema para produção de paredes internas e forros. É composto por estrutura de aço galvanizado e chapas de gesso acartonado aparafusadas. Quando utilizam o sistema sanduíche (com duas chapas recheadas com lãs minerais), as paredes de drywall podem ter o seu desempenho termoacústico melhorado. Isso viabiliza sua aplicação, inclusive, em auditórios e salas de cinema.
  • Painéis arquitetônicos – Um dos principais ícones da construção industrializada, os painéis arquitetônicos são uma alternativa às fachadas tradicionais de alvenaria. As peças são pré-fabricados em concreto armado e recebem, ainda na fábrica, revestimento incorporado em suas faces externas. Uma vez no canteiros, ao painéis são içados e fixados à estrutura por meio de inserts metálicos.
  • Painéis metálicos termoisolantes – São bastante empregados em obras industriais, especialmente para compor ambientes que demandam temperaturas controladas. Geralmente são confeccionados em aço, alumínio ou chapas de polímero perfiladas a quente com recheio isolante. A forma de instalação é parecida com a dos painéis arquitetônicos e emprega perfis ou encaixes tipo macho e fêmea metálicos.
  • Banheiro pronto – Consiste em módulos de concreto armado ou reforçado com fibras que chegam ao canteiro prontos (inclusive com louças, metais e revestimentos). No canteiro, os banheiros só precisam ser conectados às redes de água, esgoto e energia. São indicados em obras com grande grau de repetição, como em hotéis, por exemplo.
  • Estrutura de aço – A estrutura de aço, em substituição a elementos estruturais de concreto moldado in loco, permite transformar o canteiro em uma linha de produção. As peças são produzidas na fábrica em medidas específicas para atender ao projeto e chegam à obra para a montagem, normalmente feita com ligações parafusadas ou soldagem. Se quiser saber mais sobre o uso da estrutura de aço, leia esse post publicado no Buildin.
  • Estrutura pré-fabricada de concreto – Trata-se de uma solução cada vez mais utilizada em obras comerciais e industriais. Consistem em pilares, vigas e lajes de concreto que são produzidos em formas e dimensões variados. Esses elementos estruturais devem atender à NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado.
  • Steel frame – Baseado no uso de perfis de aço estrutural leve, esse sistema pode ser utilizado na construção de edifícios com até sete pavimentos, e como fechamento externo de fachadas para edifícios de múltiplos pavimentos.
  • Placas cimentícias – Fabricadas com cimento Portland, agregados finos e fibras sintéticas de reforço, substituem a alvenaria em obras executadas com estruturas convencionais ou com estruturas pré-fabricadas (metálicas ou de concreto). Podem ter formulações especiais para uso interno ou externo.
  • Wood frame – Sistema construtivo industrializado composto por frames confeccionados com perfis leves de madeira proveniente de florestas plantadas. Segundo dados da Tecverde, o wood frame pode reduzir em 85% a geração de resíduos na construção civil e diminuir em 90% o uso de recursos hídricos. Além disso, oferece alta velocidade de produção (é três vezes mais rápido do que alvenaria estrutural) com redução de mão de obra.

Conteúdo extra

Ao longo desse artigo você percebeu que não faltam soluções para industrializar a construção.

Você também viu que para tirar proveito de todas as vantagens da industrialização, o trabalho deve começar ainda nas etapas iniciais de desenvolvimento.

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Antes de encerrar, indicamos dois textos para quem quer entender mais sobre esse tema tão importante. O primeiro é uma entrevista realizada pelo Buildin com o engenheiro Jonas Medeiros, um defensor da industrialização e da construção modular.

Outro material bastante rico é o “Manual da Construção Industrializada – Conceitos e Etapas”, desenvolvido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para disseminar o uso de sistemas industrializados na construção civil brasileira.

Até a próxima!

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Autor
Juliana Nakamura

Jornalista especializada no setor de construção civil

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