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Quando eu era engenheiro de obra em início de carreira, ficava pensando em como melhorar processos na obra. E, pobre de mim, às vezes apresentava essas sugestões em reuniões de acompanhamento. A resposta era quase sempre intimidadora: “em vez de ficar querendo mudar as coisas, vá fazer o relatório para a diretoria”. Não sei se é daí que vem minha aversão a relatórios (que ninguém lê) ou minha inclinação por procurar formas alternativas de atacar questões. Hoje em dia, quando vejo a preocupação das empresas em inovar seus processos, noto que também na construção as ideias são bem-vindas e até incentivadas.

Há algum tempo me deparei com o design thinking, uma abordagem analítica do pensamento a fim de encontrar soluções para problemas específicos. Não se trata propriamente de uma metodologia, mas de uma abordagem que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em uma perspectiva de empatia máxima.

Resumidamente, o design thinking consiste em tentar mapear e mesclar a experiência cultural, a visão de mundo e os processos inseridos na vida dos indivíduos, no intuito de obter uma visão mais completa na solução de problemas e, dessa forma, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas viáveis para transpô-las. Não parte de premissas matemáticas, parte do levantamento das reais necessidades de seu consumidor; trata-se de uma abordagem preponderantemente “humana” e que pode ser usada em qualquer área de negócio.

Os passos do design thinking estão mostrados na figura abaixo:

Design Thinking

5 fases do Design Thinking

  • Empatia – a maneira mais eficaz de encontrar uma solução é colocar-se na posição das pessoas envolvidas no problema. No caso da construção, os operários, o pessoal do almoxarifado, a equipe de suprimento, etc;

  • Definição – delimitação do problema com foco em oportunidades de melhoria e não em apontar culpados. A abordagem tem um viés positivo;

  • Idealizar – usar técnicas de brainstorming para extrair boas ideias do grupo (não há nada concebido individualmente). Não se trata de uma competição, mas de um pensamento em equipe;

  • Prototipar – aplicar a solução proposta num teste. O projeto-piloto permite verificar, sem grandes gastos, se a ideia realmente atinge os objetivos almejados;

  • Testar – implementar a solução e colher o feedback da equipe para aferir a eficácia da solução.

Alguns exemplos simples:

  1. O setor de engenharia não conseguia atingir o custo unitário orçado para o concreto. Relatórios mostravam que se gastava mais em mão de obra e material do que o previsto. Através de design thinking, o sistema de descarga dos caminhões-betoneira foi adaptado (deixaram de entrar de ré na obra, o que causava muita perda de tempo); adotou-se um número de concretagens menos frequente, porém com mais volume; e a construtora negociou com a concreteira que forneceria combustível para os caminhões (pois comprava mais barato) e descontaria da medição;

  2. O dono de uma construtora de obras prediais reclamava que o custo indireto das obras estava num percentual muito alto. A pergunta certa foi: o indireto está alto ou a produção (custo direto) é que está baixa? Pois bem, mediante uma seção de design thinking, alguns cargos foram compartilhados por obras próximas (engenheiro de planejamento, por exemplo), o layout do canteiro foi adaptado e algumas tarefas desempenhadas na obra passaram a ser feitas na matriz (onde geralmente tem gente “voando”…).

Parece fácil depois que a gente lê, não é?