5 setembro 2017

Colaboradores

Segurança do trabalho: 4 motivos para você pensar

Original de Construção Mercado
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Nem índices de produtividade, nem fatores de composição de BDI, nem logística de canteiro, nada. O item mais importante em qualquer obra que seja é segurança do trabalho! Todos os anos, cerca de 450 operários do setor de construção civil perdem a vida em decorrência de acidentes relacionados ao trabalho.

Além da perda humana imensurável, a falta de segurança gera muitos custos para as empresas e para toda a sociedade.

Conheça os quatro principais motivos que comprovam que saúde e segurança do trabalho não é custo, mas investimento!

 

1 – Preserva a vida humana

Preserva a vida humana

O primeiro e mais importante motivo para investir tempo e dinheiro em segurança do trabalho é a preservação da vida humana. Afinal, a indústria da construção civil é conhecida, em todo o mundo, por ser uma das mais perigosas para seus trabalhadores. De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), cerca de 60 mil acidentes fatais de trabalho acontecem anualmente na indústria da construção ao redor do mundo.

Entre 2007 e 2013 foram registrados cinco milhões de acidentes de trabalho no Brasil. Destes 45% deles resultando em morte, invalidez permanente ou afastamento temporário do trabalho, de acordo com a Previdência Social. Em 2007, 10% desses acidentes de trabalho aconteceram em atividades relacionada à construção civil. Em 2013 a relação aumentou para 16%, chegando à impressionante média de 450 mortes por ano.

 

Principais fatos da segurança do trabalho na construção civil

  1. No Brasil, em 2009, a mortalidade por acidente do trabalho na indústria da construção foi de 18,6 óbitos para cada 100 mil trabalhadores, bem mais elevada que a dos outros ramos de atividade econômica, de apenas 7,4 x 100 mil, diferença de mais do dobro;
  2. A mortalidade por acidente do trabalho na indústria da construção caiu 43% nesta década, mas ainda é muito maior que a estimada em países como a Inglaterra e os Estados Unidos;
  3. Em 2007 a gravidade dos acidentes de trabalho estimada pela letalidade (proporção de óbitos entre os casos) foi de 2,87 óbitos por cada 100 acidentes de trabalho na indústria da construção, e se reduziu 41,9% na última década;
  4. A maior parte dos óbitos por acidente do trabalho é decorrente de quedas e eventos envolvendo veículos, com traumatismo craniano, do tórax, e múltiplos traumas;
  5. Há grande subregistro da natureza ocupacional do acidente de trabalho fatal nos sistemas de registro existentes.

Fonte: Fundacentro e Sesi (2013)

 

Comparação da quantidade de acidentes de trabalho na construção civil ao longo dos anos

 

Quantidade de acidentes de trabalho

Ano

Total

2011

60.415

2012

64.161

2013

61.889

Fonte: DATAPREV, CAT, SUB.

 

2 – Prevenir é mais barato

De acordo com o Anderson Glauco Benite em seu livro “Sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho”, “qualquer acidente que ocorre, resultando ou não em lesões aos trabalhadores, gera um prejuízo econômico significativo, pois todos os custos diretos e indiretos resultantes são creditados no custo de produção”.

Mais do que isso, ele afirma que esses custos só existem quando a SST (Saúde e Segurança do Trabalho) não é eficaz. “Há uma relação de causa e efeito direta que permite nomeá-los como custos da não-segurança”, diz.

Dados da Previdência Social indicam que o total de indenizações pagas entre 2007 e 2013 em decorrência de acidentes de trabalho considerando todas as atividades econômicas do País chega a R$ 58 bilhões.

 

Afastamento de funcionário acidentado

De acordo com dados do Sesi Paraná, “uma empresa gasta entre R$ 60 mil e R$ 90 mil só no primeiro ano de afastamento de um funcionário acidentado”. Esse valor, estimado com base no Anuário Estatístico do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contempla a complementação salarial, os encargos sociais, o pagamento e o treinamento do substituto. Investir em prevenção de acidentes e doenças laborais é a melhor forma de evitar gastos e favorece o rendimento laboral.

Além disso, quanto mais acidentes uma empresa reporta, maior é a alíquota de tarifação do Fator Acidentário de Proteção (FAT), que custeia acidentes e doenças do trabalho, bem como aposentadorias especiais.

 

Comparação de custos entre investir em segurança do trabalho e de não realizar os investimentos necessários.

 

Custos

da Segurança

da Não-Segurança

Tempo dos trabalhadores utilizado durantte as atividades de treinamento

Custo do transporte e atendimento médico do acidentado

Custos dos treinamentos, conscientização e capacitação dos trabalhadores

Prejuízos resultantes dos danos materiais a ferramentas, máquinas, materiais e ao produto

Custos com exames médicos de monitoramento de saúde

Pagamento de benefícios e indenizações aos acidentados e suas famílias

Manutenção de equipes de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) e respectivos encargos sociais

Pagamento de multas e penalizações

Aquisição de equipamento de proteção individual (EPI)

Tratamento de pendências jurídicas, tais como processos criminais por lesões corporais, indenizatórias e previdenciárias

Tempo para desenvolvimento de projetos e instalação de proteções coletivas

Tempo não trabalhado pelo acidentado durante o atendimento e no período em que fica afastado

Placas de identificação e orientiativas de SST

Tempo despendido pelos supervisores, equipes de SST e médica durante o atendimento

Manutenção da infraestrutura das áreas de produção e administração (áreas de vivência, refeitórios, alojamento, sanitários)

Baixa moral dos trabalhadores, perda de motivação e consequente queda de produtividade

Custos com realização de medições de condições ambientais (ruído, iluminação, vapores etc.)

Tempo de paralisação das atvidades pelo poder público e consequente prejuízo à produção

 

Tempo para limpeza e recuperação da área e reinício das atividades

 

Tempo necessário para replanejamento das atividades

 

Tempo dos supervisores para investigar os acidentes, preparar relatórios e prestar esclarecimentos às partes interessadas: clientes, sindicatos, MTE, imprensa etc.

 

Tempo de recrutamento e capacitação de um novo funcionário na função do acidentado durante seu afastamento

 

Perda da produtividade do trabalhador acidentado após seu retorno

 

Aumento dos custos dos seguros pagos pelas organizações (voluntários e obrigatórios)

 

Aumento dos custos para a sociedade resultante da maior necessidade de recursos financeiros (tributações) para que o governo efetue o pagamento de benefícios previdenciários (auxílio doença, pensões por invalidez etc.), bem como para manter toda a estrutura existente de fiscalização

 

Custos econômicos relativos ao prejuízo da imagem da empresa frente à sociedade e clientes

Fonte: livro Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (Anderson Glauco Benite, Nome da Rosa)

 

3 – Proporciona ganhos de produtividade

ganhos-de-produtividade

Os índices de produtividade são beneficiários diretos e indiretos dos investimentos em saúde e segurança do trabalho. Primeiro, diretamente, porque um canteiro paralisado em decorrência de um acidente não produz. Após a liberação da área, há o tempo necessário para reativar processos que estavam em andamento no momento do acidente, com todos os retrabalhos que isso exigir. Além disso, a atividade não será mais realizada pelo trabalhador acidentado, o que pode significar menos operários trabalhando ou operários com menos qualificação envolvidos na tarefa. A produtividade cai ainda mais caso o acidente tenha afetado a estrutura em execução, máquinas, equipamentos e ferramentas.

Em contrapartida, um canteiro seguro, de acordo com as exigências da NR-18 Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, oferece melhores condições de trabalho. Isso porque canteiro seguro é canteiro organizado, com definições claras sobre processos de trabalho e responsabilidades.

 

4 – Não ser demitido pelo funcionário

Ainda que não ocorra acidente algum, caso o funcionário comprove na justiça que as condições de trabalho são prejudiciais, ele têm o direito de rescindir o contrato de trabalho sem abrir mão dos direitos trabalhistas.

O precedente é de um trabalhador do setor frigorífico. No caso, ele comprovou à justiça que a empresa não oferecia mobiliário e ferramentas adequadas para o trabalho realizado. Como consequência, ao longo dos anos de trabalho ele desenvolveu lesões no ombro. O juiz responsável por julgar o caso entendeu que a falta da empresa foi “grave o suficiente de forma a impedir a continuidade do vínculo de emprego”. Assim, a rescisão indireta “justifica-se pela existência de condições laborais inadequadas a configurar risco à saúde do empregado já anteriormente acometido por doença do trabalho”.

 

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