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Você sabe que a sustentabilidade é um desafio para quem cria, constrói e desenvolve empreendimentos imobiliários. Responder à crescente demanda da sociedade por edifícios mais eficientes e que gerem menos danos ao ambiente, requer de construtores, empreendedores e arquitetos muito empenho. Também exige o entendimento de que a sustentabilidade deve ser tratada de um modo mais holístico.

Você pode se questionar: Por que essa abordagem mais ampla é necessária?

A resposta é simples. É para evitar as famosas “maquiagens verdes”, ou greenwashing, no termo em inglês. Estamos falando sobre a adoção de práticas que servem apenas para dar aos empreendimentos uma aparência mais ecológica, e não para torná-los, de fato, mais sustentáveis.

Se você quiser saber mais sobre como a maquiagem verde ocorre, sugiro a leitura dessa entrevista realizada com o professor Vanderley John, da Poli-USP.

Sustentabilidade requer ações integradas

Seguindo com o nosso raciocínio, a sustentabilidade na construção deve permear as diferentes etapas de um desenvolvimento imobiliário. Ou seja, desde sua concepção, passando pela construção, reciclagem ou demolição, incluindo todo o período de uso e operação.

Pense: de que adianta dispor de um projeto racional e diminuir os resíduos na obra se a construtora trabalha com um fornecedor que é altamente poluente? Qual é a lógica de utilizar matérias-primas ecológicas e aplicá-las em um edifício muito exposto à insolação, com pouca ventilação, em uma cidade de clima quente?

Não custa lembrar que a construção civil – da produção dos insumos à fase de manutenção das obras – é um dos setores da economia com o maior impacto ambiental.

Isso se deve aos recursos extraídos da natureza, à queima de combustíveis fósseis, ao despejo de rejeitos poluentes e ao desmatamento. Esse texto, aliás, explica direitinho os impactos ambientais causados pela construção. Vale a leitura.

As etapas de uma edificação

Antes de abordar as ações práticas que podem tornar um edifício ambientalmente mais correto, vou abrir parênteses para falar sobre o ciclo de vida de uma edificação.

Ao longo de sua existência, um edifício passa por quatro etapas principais:

  • Planejamento da obra – Desde esta fase inicial, as práticas sustentáveis devem ser implementadas. O trabalho deve começar com a escolha do local da construção, levando em consideração o entorno e a dinâmica da região onde ele será inserido.
  • Implantação/Construção – Nesse momento coloca-se em prática o que foi pensado na fase de planejamento, inclusive as práticas sustentáveis. É nessa etapa que se tem as maiores chances de tornar um edifício eficiente.
  • Uso e manutenção – É a fase mais longa da vida útil do edifício. Esse momento também pode se valer de dispositivos para tornar o edifício mais ecológico. Falaremos mais sobre isso logo mais.
  • Demolição – Trata-se da última etapa da vida útil do edifício. Este momento deve ser marcado pelo aproveitamento de materiais, pela reciclagem e reutilização. Nesse aspecto, ganham pontos edifícios que utilizam sistemas construtivos que permitam tal reaproveitamento, como as estruturas metálicas, por exemplo.

Como obter sustentabilidade na construção em diferentes momentos?

1) Durante o desenvolvimento do projeto

  • Você sabe que um edifício, residencial, comercial ou institucional, deve durar no mínimo 50 anos. Durante esse período é provável que as necessidades de seus usuários mudem. Daí a importância de pensarmos em soluções modulares e independentes, criando construções que possam ser facilmente remodeladas, ampliadas ou reduzidas. Tudo deve ser transformável.
  • O projeto de um edifício deve almejar conforto a seus usuários gerando o mínimo impacto possível. Jamais devem ser desconsiderados aspectos como: características do terreno, posição geográfica, insolação, altitude, paisagem natural e o entorno construído.
  • O uso racional de água e da energia deve ser prioridade em projetos que pretendem ser sustentáveis. Para você ter uma ideia da importância disso, segundo o Green Building Council Brasil, um projeto sustentável médio é capaz de reduzir 40% o uso de água, 35% a emissão de gás carbônico e 65% o desperdício. Isso quando comparado a um edifício equivalente projetado se qualquer preocupação ambiental.
  • Telhados ou coberturas verdes podem ser boas opções para edifícios urbanos ao facilitar a drenagem da água da chuva e fornecer isolamento acústico e térmico aos interiores. Esse tipo de solução também é bastante associada à diminuição da temperatura do micro e macro ambientes externo.
  • A sustentabilidade exige o uso de materiais de construção de baixo impacto ambiental, que poupam recursos naturais e sejam duráveis.Exemplos nesse sentido são os revestimentos produzidos a partir da reciclagem de outros componentes, as tintas com índices mais baixos de compostos orgânicos voláteis (VOC), e os vidros de alto desempenho.
  • Com relação à seleção de fornecedores, o contratante deve sempre verificar a formalidade da empresa fabricante e fornecedora. Também vale dar atenção às questões sociais. A existência de um fornecedor na lista de empresas que utilizaram mão de obra infantil ou escrava, por exemplo, o desqualifica como fornecedor sustentável.

2) A sustentabilidade no canteiro de obras

  • Uma obra ambientalmente correta deve dispor de um plano de sustentabilidade ambiental para o canteiro. Esse estudo deve contemplar os efeitos provenientes de atividades envolvendo a movimentação e o descarte de solo, erosão, sedimentação e assoreamento de cursos d’água.
  • O plano também deve buscar soluções para minimizar a geração de poeira e poluição do ar, a contaminação do solo e de cursos d’água, bem como a geração de ruído e de transtornos à vizinhança.
  • É fundamental reduzir a pressão sobre os aterros sanitários decorrente do descarte de resíduos. As construtoras devem priorizar a reciclagem e, quando possível, o reaproveitamento de materiais, tanto no próprio canteiro quanto por meio da adoção de logística reversa.
  • Uma ação inteligente e necessária é migrar de soluções construtivas artesanais (que envolvem alto grau de improviso e de desperdício) para sistemas construtivos industrializados. Menos desperdício = menos resíduo despejado em aterros.
  • Também deve ser objeto de planejamento a desmobilização correta das instalações provisórias. A ideia é permitir a desconstrução de componentes e a recuperação das áreas ocupadas.

3) A sustentabilidade continua na pós-ocupação do edifício

A eficiência de um edifício depende obviamente da sua concepção e construção. No entanto, durante o uso e a ocupação, é possível adotar uma série de práticas para melhorar a sustentabilidade da construção. Quer ver alguns exemplos?

  • A implantação de coletores solares térmicos e painéis fotovoltaicos são soluções para geração de energia.
  • Outras boas ideias são implantar sistemas de reúso de águas pluviais, criar áreas verdes que promovem biodiversidade e usar materiais ecológicos.
  • Um edifício pode ganhar eficiência energética a depender do fechamento (vidros e esquadrias mais estanques), da iluminação, dos elevadores e do sistema de ar-condicionado empregados.
  • Por fim, mas não menos importante, a gestão de um edifício deve buscar sempre promover o uso racional dos recursos naturais e a reciclagem de resíduos.

Conclusão

Esse artigo procurou mostrar a importância de tratar a sustentabilidade como um conceito complexo que permeia a edificação do projeto à pós-ocupação.

Você viu que para uma obra para ser considerada sustentável, é preciso incorporar estratégias para minimizar o impacto ambiental, o consumo de água, de energia e de materiais, bem como reduzir ao máximo a geração de resíduos.

E se você quiser saber mais sobre como a tecnologia pode auxiliar os edifícios a serem mais sustentáveis, não deixe de ler esse post