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Você já deve ter ouvido falar bastante sobre certificados de sustentabilidade que atestam que determinado edifício ou projeto incorporou boas práticas em seu desenvolvimento.

Você também deve ter notado que nos últimos anos a quantidade de empreendimentos com certificados de sustentabilidade só vem crescendo. Isso mostra que os desenvolvedores imobiliários estão mais atentos à questão ambiental. Também indica que os selos verdes são uma poderosa ferramenta de marketing. Eles diferenciam edifícios e construtoras que incorporam a sustentabilidade às suas marcas e práticas.

Quer ver um dado interessante?

Além dos benefícios sociais e ambientais, as construções sustentáveis são um excelente modelo de negócio!

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) detectou que o selo verde, independente de outros fatores como localização e tamanho de laje, valoriza o metro quadrado no aluguel de 4% a 8%. Além disso, construções certificadas (no caso da pesquisa, com o selo Leed) registraram taxa de vacância quase 6% menor do que edificações similares não certificadas.

Principais certificados de sustentabilidade na construção

Diante de tamanha importância, vale conhecer mais a fundo seis certificados que atestam a sustentabilidade dos edifícios:

Leed (Leadership in Energy and Environmental Design)

Criado pelo US Green Building Council, trata-se de uma ferramenta utilizada em 143 países e que é muito popular no Brasil, especialmente no segmento comercial. Atualmente, o Brasil é o 4º país com maior número de registros no ranking mundial.

O Leed baseia-se em um número de pontos concedidos em função do atendimento a uma série de requisitos de sustentabilidade. Entre eles, destacam-se:

  • Espaço sustentável: prevê aplicação de práticas para reduzir impactos nos centros urbanos, como redução do uso de carros e da formação das ilhas de calor;
  • Eficiência do uso da água: inclui soluções para diminuir o consumo de água potável e alternativas para tratamento e reúso de águas pluviais/cinzas;
  • Eficiência energética: vai desde a utilização de fachadas com vidros de alto desempenho, à instalação de dispositivos para autogeração de energia;
  • Materiais: uso de materiais de baixo impacto ambiental e que gerem menos resíduos;
  • Qualidade ambiental interna: refere-se a ações que garantam o conforto e a segurança dos usuários;
  • Inovação e processos: considera inovações ambientais que não foram mencionadas em outras categorias;
  • Créditos de prioridade regional: incentiva o uso de matérias-primas regionais.

As pontuações e os pré-requisitos da certificação Leed variam em função do tipo de empreendimento (comercial, institucional, retrofit etc).

A certificação também pode ser obtida em três diferentes níveis de acordo com o desempenho/pontuação do empreendimento:

  • Silver (mínimo),
  • Gold (intermediário) e
  • Platinum (máximo).

Procel Edificações

Criado em 2003 pela Eletrobras, o Procel Edificações visa destacar os empreendimentos que apresentam as melhores classificações de eficiência energética.

Aplicável a prédios comerciais e residenciais, o selo pode ser outorgado na etapa do projeto e após o edifício construído.

De acordo com a Eletrobras, a energia elétrica demandada por edificações corresponde a 45% do consumo faturado no Brasil. A estimativa é de que todo prédio rotulado pelo Procel Edificações reduza este número em aproximadamente 50%, no caso de uma construção nova, ou em 30%, quando um imóvel é adaptado.

Em edifícios comerciais, de serviços e públicos são avaliados três sistemas: envoltória, iluminação e condicionamento de ar.

Já nos residenciais, são avaliados a envoltória, o sistema de aquecimento de água, além dos sistemas presentes nas áreas comuns como iluminação, elevadores, bombas centrífugas etc.

AQUA-HQE

Coordenada no Brasil pela Fundação Vanzolini, a certificação AQUA-HQE foi desenvolvida a partir da francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environnementale).

O processo, adaptado às necessidades brasileiras, consiste na avaliação de 14 categorias que podem ser classificadas nos níveis bom, superior ou excelente:

  • Relação do edifício com o seu entorno;
  • Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos;
  • Canteiro de obras de baixo impacto ambiental;
  • Gestão da energia;
  • Gestão da água;
  • Gestão de resíduos de uso e operação do edifício;
  • Manutenção – permanência do desempenho ambiental;
  • Conforto higrotérmico;
  • Conforto acústico;
  • Conforto visual;
  • Conforto olfativo;
  • Qualidade sanitária dos ambientes;
  • Qualidade sanitária do ar;
  • Qualidade sanitária da água.

Para receber o certificado de sustentabilidade AQUA-HQE, o empreendimento precisa ter, no mínimo, três categorias avaliadas como excelentes e quatro como superiores.

As avaliações são feitas por meio de análise da documentação do projeto e auditorias in loco. No Brasil, mais de 500 edifícios já têm o selo AQUA-HQE.

Casa Azul

Esse selo foi criado pela Caixa Econômica Federal para a classificação dos projetos habitacionais financiados pelo banco. O objetivo é incentivar o uso racional de recursos naturais e reduzir custos de manutenção e despesas dos usuários.

O Selo Azul foi o primeiro sistema de classificação de sustentabilidade brasileiro, desenvolvido para a realidade do País.

São 53 critérios de avaliação, divididos em seis categorias:

  • Qualidade urbana;
  • Projeto e conforto;
  • Eficiência energética;
  • Conservação de recursos materiais;
  • Gestão da água;
  • Práticas sociais.

Para obter o selo, o empreendimento deve atender a 19 critérios obrigatórios. A depender de quantos critérios opcionais a edificação atender, o projeto pode ganhar o selo nível bronze, prata ou ouro.

Edge

Simples e de baixo custo, o Excellence in Design for Greater Efficiencies (Edge) consiste em uma plataforma online que quantifica as ações sustentáveis, possibilitando ajustes na concepção do projeto que poderão levar à obtenção do selo.

Para obter o Edge as obras devem reduzir em 20% o uso de água, em 20% o consumo de energia no empreendimento e em 20% a energia utilizada na produção de materiais.

A aplicação do selo no Brasil tem o apoio da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e do Banco Mundial/International Finance Corporation (IFC), que vincula seus financiamentos a empreendimentos que tiverem obtido o certificado.

Somente projetos de construção novos podem obter certificados de sustentabilidade com o Edge.

Breeam

Criado na Inglaterra, o Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) chegou ao Brasil em 2011 para ser aplicável em edifícios de diferentes tipologias.

Ainda pouco aplicado no Brasil,  utiliza medidas de avaliação de desempenho , aplicadas a partir de categorias e critérios de avaliação, como:

  • Gerenciamento;
  • Energia;
  • Água;
  • Transporte;
  • Materiais;
  • Poluição;
  • Saúde e bem-estar;
  • Uso da terra e ecologia;
  • Gestão de resíduos.

A avaliação também baseia-se em pontuação. São 100 pontos, distribuídos em 9 categorias. A pontuação mínima para garantir o primeiro nível de certificação (Pass) e que concede apenas o título de empreendimento certificado equivale a 30 pontos. A partir daí, pode-se obter as classificações Good (45 pontos), Very Good (55 pontos), Excellent (70 pontos) e Outstanding (85 pontos).

Como obter certificados de sustentabilidade na construção?

Diante de tantas possibilidades, resta ao empreendedor escolher qual certificação vai mais ao encontro com suas necessidades e possibilidades. Em todos os casos citados, o empreendimento será certificado após auditorias e a análise de uma série de documentos/projetos.

Além do investimento – proporcional ao porte do edifício – é importante que o empreendedor desenvolva um sistema de gestão para organizar o trabalho e dar suporte às múltiplas etapas da certificação.

Ainda que não seja obrigatória, é comum as empresas buscarem a contratação de consultorias para auxiliá-las ao longo de todo o processo.

Conclusão

Nesse artigo, você pode conhecer mais sobre alguns dos principais certificados de sustentabilidade na construção utilizados no Brasil. Você também notou que, embora possam existir diferenças de foco e rigor, há muitos pontos em comum em todas essas iniciativas. Podemos citar a preocupação com a eficiência energética do edifício, com o uso racional da água e com a gestão cuidadosa dos resíduos da construção.

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E se quiser saber mais sobre tema, sugiro a leitura de dois outros posts. O primeiro apresenta cinco cases interessantes de edificações que receberam selos verdes. O segundo explica como aplicar a sustentabilidade na construção em diferentes etapas do desenvolvimento imobiliário. Até a próxima!